TRADIÇÃO

raiVou falar do tema para que possamos entender melhor as nossas atitudes, rever nossas ações, e chegar  e checar as melhores conclusões.  O mais importante, saber que não há uma regra, não há um manual de comportamento correto, e sim,procurar a  coerência com os nossos pensamentos e no que acreditam tradição = transmissão, entrega, trazer junto…
Entendendo a palavra, podemos questionar melhor as mudanças, as adequações dos nossos rituais.

Quando se fala de iniciação, vem logo em mente o tempo de recolhimento, pensamos imediatamente nos rituais que para muitos é primitivo, porém, fazem parte da tradição.

O culto aos Òrisá atravessou o oceano, se adaptando ao novo mundo, tendo modificações indispensáveis para criação do que hoje conhecemos como candomblé.             O candomblé atravessou séculos,  se adequando novamente as novas necessidades, e hoje se fala na modernidade do culto, que para muitos se faz necessário para que o candomblé sobreviva.       Concordo que os tempos atuais são muito diferentes daqueles. Não tem como praticar o candomblé de 40, 50, 60 anos atrás. Será?        Admito que não tem como fugir da modernidade, hoje temos fogão a gás, temos luz elétrica, hoje a facilidade de colocar pisos, de se confeccionar roupas melhores, hoje se tem acesso a informação.

Ótimo, pois saímos de um tempo de ignorância, não precisamos mais apenas repetir, e sim entender e praticar com sabedoria, porem, insisto, nos rituais, os quais o reviver, o trazer de volta, me parece ser essencial que continue a ser como nos foi trazido.
Voltemos aos tempos dos nossos ancestrais, o recolhimento para uma iniciação era com toda certeza um período de prazer. Ficar recolhido, (escondido) de uma realidade cruel. Realidade esta que os obrigava a trabalhar sob as chibatas, portanto, recolher-se, seria uma entrega prazerosa. Entrar em contato com os costumes que lhes remetiam a sua pátria, a África.

Ficar um período só na companhia das lembranças de um tempo de liberdade, e esquecer uma realidade de dor e sofrimento, e ao mesmo tempo, entrar em sintonia com o que eles mais amavam e o que mais os aproximavam do seu povo. Os Òrisa

Nos tempos atuais, a necessidade de uma iniciação precede geralmente de momentos de agonia, de desespero, em muitas vezes nos encontramos perdidos, sem chão, sem pátria. Precisamos “fugir” dessa realidade, ficarmos sozinhos, ou melhor, ficarmos com a nossa companhia, para pensarmos, nos entregarmos, e buscar uma conectividade com o melhor. Entender a nossa historia, conhecer o nosso verdadeiro “eu”, e como o candomblé é uma religião que cultua os nossos ancestrais, divinos e/ou consanguíneo, buscamos uma aproximação com o nosso povo.

Reconhecem alguma semelhança entre os tempos?

E hoje temos mais uma grande razão para mantermos os rituais o mais próximo do tradicional.
entendermos que o que sempre foi passado como sacrifício, dor, na verdade é uma homenagem, sim, pois sabemos que para podermos hoje, tocar os nossos tambores, entoar as nossas cantigas, muita gente lutou, e até mesmo morreu, em nome da nossa religião.

Além de cultuarmos a nossa ancestralidade, devemos homenageá-la, revivendo e buscando a conexão com o passado. Desta forma, renovaremos uma tradição, mantendo vivo uma cultura, e com muito prazer.  Se começarmos a ver o passado com gratidão, saberemos valorizar os costumes, entender os motivos de uma entrega, que nos levará a emoções que nos levará ao encontro com os Òrisá, e os Òrisá encontrará um novo “eu”, com uma consciência de que está começando um novo período, um tempo de renovação, e recomeço, um reencontro com o antigo, que remodelará um futuro promissor.    Portanto não há sofrimento e/ou sacrifício, e sim, alegria e satisfação.

Entendendo  a tradição, compreendendo os rituais da religião, teremos força para sobreviver por muitos séculos.
Igbà ki í tó bí òre ’re àìyé kí í tó òpá òbon.

“o tempo e as estações não permanecem sem mudança.”

As mudanças sempre serão necessárias, que as transformações venham para manter firme o òpò, que sustenta a nossa fé.

 

Raimundo Ribeiro
“EGBE ASÉ AIRA INTILE”
Rio Bonito – RJ
E-mail: raimumdomiranda12@ gmail.com

Sobre Administrador

Eu tento fazer a minha parte para poder divulgar a minha Religião.
Esse post foi publicado em CANDOMBLÉ, Candomblé que eu acredito. Bookmark o link permanente.