REFAZENDO CAMINHOS

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“Necessário o aprendizado do amor, da renúncia, do despojamento de coisas que ocupam espaço em nossas vidas e não têm real necessidade”

Autora: Lucy Dias Ramos
Revista Internacional do Espiritismo- fevereiro de 2010, p.13-14

Com o passar dos anos ficamos cada vez mais conscientes da necessidade de vivermos com simplicidade…Compreendemos ser este o caminho mais seguro de encontrarmos o bem estar físico e mental.

Viver com o essencial nos dá uma sensação de liberdade e conforto muito acima das aquisições materiais, sejam objetos pessoais ou equipamentos modernos que ocupam espaço físico, sem ter nenhuma necessidade real em nossa vida.

Todo ser humano necessita criar em torno de si espaços, janelas aberturas ou frestas que lhe permitam ver as coisas em torno de si e aprender a olhar seu mundo íntimo. Vivemos distraídos com o que é transitório e efêmero, esquecidos de que o melhor seria observar atentamente o que nos torna felizes.
O aturdimento da posse desenfreada rouba de nós a felicidade e a tranquilidade que uma vida simples propicia.
A abstração do que é concreto e tangível eleva nossa mente e melhoramos nossa sintonia com o mundo subjetivo e isso é o que realmente importa.
Joanna de Angelis, no livro “O despertar de um Espírito”, fala desta necessidade de se buscar um espaço na solitude para aprendermos a ver e a ouvir o que se passa realmente em nosso imo:
“Como providência terapêutica, todos devem afastar-se por algum tempo do contubérnio em que se encontra detido, refazendo caminhos e pensamentos, revitalizando disposições para o trabalho, a família e a sociedade. (…) Assim sendo a busca da solitude é uma forma de despojamento de todos e de tudo, temporariamente, de forma a entender a vacuidade dos apegos e tormentos pelas posses de relativo significado”.

Quando aprendemos a arte de ver com os olhos da alma, como nos ensinou Jesus, entendemos de forma mais nítida o sentido existencial e nos tronamos mais livres e sensíveis a tudo o que nos cerca…

Ver apenas com os sentidos físicos limita nossa percepção real porque apenas enxergamos objetos e coisas materiais. Entretanto, quando aprendemos a ver descobrimos uma beleza mais intensa no que observamos, como se uma simples pedra ganhasse vida e nos mostrasse toda a sua trajetória, liberando nossos pensamento em torno da realidade que a cerca.

Jesus nos ensinou a ver com os olhos da alma purificados pelo amor e nas coisas mais simples da Natureza ele descortinou para a multidão que o ouvia, a beleza da simplicidade, a grandeza do amor, o valor do bem sobrepondo ao mal que ainda reside dentro dos corações humanos…

Na contemplação da Natureza, observando a beleza do que nos cerca, vamos ampliando nossa visão interior, dilatando nossos sentidos além da matéria inerte e passamos a ver o que realmente importa…

Dizem que os petas veem poesia em tudo que observam…Conseguem, mas do que os outros, colorir a vida com nuances de beleza e induzir a quem os lê a sonhar, ter esperanças no coração porque entendem melhor os sentimentos humanos e usam as palavras como instrumentos que fazem vibrar a emoção humana…
Os orientais, em suas meditações constantes, aprenderam a arte de ver com sabedoria e buscam no recolhimento e na meditação a fonte de energia e da sabedoria. O Zen budismo apregoa que a espiritualidade é a busca da expressão chamada “satori”, que é a abertura do terceiro olho. Para nós seria a “pineal” ampliando a nossa percepção, desvendando, em sua ligação com o plano espiritual, a beleza e o conhecimento0 das leis que regem o Universo.

Se aprendermos a olhar com amor, como nos ensinou Jesus, veremos em cada ser o nosso próximo, respeitando-o e tolerando suas limitações. Neste aprendizado é necessário que primeiro venhamos a nos conhecer e a nos amar como preconiza a lei natural ou divina..

Contemplando o amanhecer neste verão eu descortinei a beleza do céu avermelhado pela luz solar que o inundava de cores antecipando sua chegada… Um turbilhão de idéias me povoou a mente e desejei repassar para seu coração o que sentia aquele momento mágico, quando minha alma, tocada pela emoção de um novo dia, percebeu naquela amplidão dento de mim, a beleza da vida retratando a insuperável grandeza de Deus.

Percebi, olhando ale do horizonte o significado de estar aqui naquele instante e como é infinito o amor de Deus por todos nós…

Um sentimento profundo de gratidão aflorou em minha alma. Orei agradecendo a dádiva da vida e sermos detentores de tantas belezas e oportunidades de encontrar a felicidade e a paz.

Necessário o aprendizado de amor, da renúncia, do despojamento de coisas que ocupam espaço em nossas vidas e na têm real necessidade. Libertar nossa existência do excessivo apego às pessoas e bens materiais que nos cercam para poder abrir espaços mentais , que nos levem a pensar e repensar com equilíbrio nos deveres e compromissos assumidos.

Passamos todos pelos mesmos caminhos, na linha da evolução e as oportunidades de crescimento chegam até nós sem privilégios. É preciso ver o que realmente nos engrandece e possibilita o progresso espiritual.
Nem sempre enxergamos em nós mesmos, os entraves a este crescimento, mas poderemos treinar no dia a dia, em momentos de recolhimento e oração, a arte de ver com os olhos da alma o que está fora e dentro de nós, motivando nossa ascensão espiritual.

Joanna de Ângelis leciona:
“Solitude com reflexão, a fim de viver no tumulto sem desesperação, saudavelmente, tranquilamente, eis o impositivo do momento.
O redespertar para a beleza, deixando-se mimetizar pela sua contribuição e harmonia e de vida, somente é possível quando o Eu emerge e passa a comandar as atividades, tornando-se a realidade dominante em todo o processo de transitoriedade.”

Aprimorando-nos intimamente, aprendendo a ver a beleza que a Natureza nos concede, educando nossos sentimentos, ampliando nossa sensibilidade diante do outro nos momentos de dores e infortúnios, compreenderemos o sofrimento como instrumento divino a nos lapidar a alma.

Quem sabe, assim, estaremos aprendendo com os poetas a ver a beleza que transcende da flor que embeleza nossos sentidos físicos, da árvore amiga que nos dá exemplos de perseverança, da água que nos purifica, do alimento que nos fortalece e anima a cada dia…

Ver essencialmente com o coração, porque como dizem os que têm esta sensibilidade ante o belo: o essencial não está apenas na forma concreta do objeto admirado. Está muito além do que veem nossos sentidos físicos. Passaremos a perceber o encantamento em tudo o que é obra divina e nos dá felicidade, mesmo que temporária, mas que conforta e nos anima a prosseguir.

Respeito e amor a todos os seres, a tudo que é obra da criação de Deus – eis a meta na conquista da paz e da felicidade.

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