O Grande Mal – a Obssessão

Hoje em dia há dezenas de bons livros que nos trazem os alertas e os ensinamentos para que não nos deixemos cair nas redes obsessivas. Sabemos que tanto podemos ser vítimas de antigos algozes de vidas passadas, como por algo que estejamos fazendo na existência presente, principalmente se estamos praticando o Bem e a Caridade, pois isto incomoda os que querem obstaculizar o progresso do Planeta. Há também problemas complicados que levam a auto-obsessão, resultante de paixões, medos excessivos, vaidades.

A obsessão é silenciosa, melíflua, se enraíza onde houver terreno fértil. O perigo se encontra, quando o Ego supera a Consciência, quando os problemas cotidianos toldam a verdadeira meta da vida, que é o caminho pessoal evolutivo, é a compreensão da jornada do próprio espírito e a busca da superação das dificuldades, transmutando incapacidade em habilidade, ignorância em proficiência.

No capítulo 23 do “Livro dos Médiuns”, Allan Kardec definia do seguinte modo:

“…A obsessão trata-se do domínio que alguns Espíritos podem adquirir sobre certas pessoas. São sempre os Espíritos inferiores que procuram dominar, pois os bons não exercem nenhum constrangimento. Os bons aconselham, combatem a influência dos maus, e se não os escutam preferem retirar-se. Os maus, pelo contrário, agarram-se aos que conseguem prender. Se chegarem a dominar alguém, identifica-se com o Espírito da vítima e a conduzem como se faz com uma criança.

A obsessão apresenta características diversas, que precisamos distinguir com precisão, resultantes do grau do constrangimento e da natureza dos efeitos que este produz. A palavra obsessão é portanto um termo genérico pelo qual se designa o conjunto desses fenômenos, cujas principais variedades são: a obsessão simples, a fascinação e a subjugação.”

O médium atuante é aquele que deve ter maior cautela a respeito dos processos obsessivos. O atributo da mediunidade está presente 24 horas do dia. Logo, mesmo durante o sono, o médium deve prevenir-se, tendo o cuidado de ao dormir fazer suas orações, livrar-se toda a mágoa e preocupações malfazejas. Deve cultivar incessantemente a humildade e a destruição do egocentrismo. Ao sentir-se acossado por espíritos obsessores, deve procurar auxílio, quer na casa religiosa que frequenta, quer através da leitura edificante, que trabalhando na sua tarefa mediúnica com mais afinco. A tendência dos espíritos perseguidores e fascinadores é isolar o médium, afastando-o e colocando em sua mente que todos estão errados, ou criticando sem razão. Este afastamento impede do médium ouvir palavras esclarecedoras e salutares e não raro aprofundam o processo obsessivo.

No caso do médium de Umbanda, ele deve se interiorizar e se comunicar com seus guias, buscando os melhores caminhos e melhores atitudes, mas para isso o médium deve sempre deixar um momento do seu dia exclusivo à dedicação e introspecção, para poder ligar-se às correntes vibracionais do Bem que irradiam de seus guias protetores, e neste momento compreender o que se passa ao redor, materialmente e espiritualmente, obtendo equilíbrio nos dois aspectos de sua vida.

Vamos a seguir transcrever algumas palavras do espírito Manoel Philomeno de Miranda, através do médium Divaldo Franco, no livro “Tormentos da Obsessão”:

“ trata-se talvez, da doença mais antiga da Humanidade, em relação a outras tantas prejudiciais. Basta que nos recordemos que, em todos os períodos do pensamento histórico, a obsessão e suas sequelas se têm apresentado ceifando a saúde física e mental dos indivíduos. Terrivelmente ignorada, ou simplesmente desconsiderada, vem prosseguindo no seu triste fanal de vencer todos aqueles que lhe tomam nas malhas coercitivas. Todos os esforços, portanto, direcionados para a desmistificação e o combate a esse terrível mal devem ser envidados, por todos aqueles que nos encontramos forrados pelos ideais superiores e que haurimos na palavra de Jesus o direcionamento correto da felicidade.

Na raiz de todos os problemas que aturdem o ser humano, sempre encontraremos o Espírito como seu responsável, face aos comprometimentos que se ocasionou. Criado, simples e ignorante, com neutralidade interior, defrontando as opções de agir correta ou incorretamente, tudo quanto lhe ocorre provém da preferência que se permitiu de início, cabendo-lhe o reencontro com o equilíbrio que lhe direcionará os passos para o futuro. A obsessão encontra-se incursa nesse raciocínio, porquanto, somente ocorre em razão do comportamento irregular de quem se desvia do roteiro do bem fazer, criando animosidades e gerando revides. Certamente, haverá muitas antipatias gratuitas entre pessoas, que resultam de preferências psicológicas, de identificações ou reações afetivas.
Os dardos atirados pelas mentes agressivas e inamistosas são inevitáveis para aqueles contra quem são dirigidos. No entanto, a conexão somente se dará por identidade de sintonia, por afeição à afinidade em que se manifestam. Por esse motivo, a obsessão sempre resulta das defecções morais do Espírito em relação ao seu próximo, e desse, infeliz e tresvariado, que não se permite desculpar e dar novas chances a quem lhe haja prejudicado. Não ignoramos aquelas que têm gênese nas invejas, nas perseguições aos idealistas e trabalhadores do Bem, mas que também somente se instalam se houver tomada psíquica naquele que se lhes torna objeto de perseguição.

O indivíduo que ama a retidão de princípios e os executa firmado em propósitos de elevação moral, mesmo quando fustigado pela pertinácia dos irmãos desajustados e perversos de ambos os planos da vida, não se deixa afetar, permanecendo nas disposições abraçadas, fiel ao programa traçado. Pode experimentar alguma aflição, como é natural, mas robustece-se na oração, no prazer do serviço que realiza, nas leituras edificantes, na consciência pacificada. Simultaneamente, torna-se amparado pelos Espíritos nobres, seus afeiçoados desencarnados, aqueles que foram beneficiados por sua bondade fraternal, que acorrem para sustentá-lo e protegê-lo nas atividades que lhe dizem respeito. Jamais se curvam sob as forças tenebrosas do mal aqueles que se entregam a Deus, a Jesus e ao Bem, nas fileiras do dever a que se apegam.“

Kardec, no seu livro “O que é o espiritismo”, deixa claro algo muito importante, que frequentemente tem sido esquecido. A doutrina espírita, NÂO é a doutrina praticada por espíritas, mas sim a doutrina ADVINDA dos espíritos. Daí, justifica-se para todos aqueles que queiram dedicar-se ao mundo extra-físico, buscar na Filosofia Espírita, e na excepcional didática fornecida por Allan Kardec em seus livros, ricos em clareza, pensamento reto e coerente, uma melhor compreensão e aprendizado constante. Lembrando que sempre Kardec atribuiu ao Espiritismo o caráter de uma ciência e não uma religião, aceitando todas as crenças e convicções.

Desta forma, Pai João de Aruanda, no livro “Magos Negros”, através da psicografia do médium Robson Pinheiro, nos traz a mensagem de estudar os livros deixados por Kardec, sobretudo no combate da Magia Negra, que tanto campeia nosso orbe na atualidade. Respondendo à questão 47, pag. 173 do referido livro, Pai João comenta:

“Espera-se que meus filhos estudem muito. Que se dediquem a aprofundar o conhecimento de magia, elementais, leis do mentalismo, magnetismo animal, leis dos fluidos e, sobretudo, das propriedades do perispírito e do duplo etérico, em suas inúmeras possibilidades de transformação. Aliado a tudo isso, devem se estudar os fatores emocionais e sua ação sobre o psiquismo, os transtornos psicológicos, traumas , fobias e outros elementos da alma enferma, o que será de grande valor para aas equipes de médiuns que enfrentam situações como meu filho cita ( trabalhos de magia e feitiçaria)”.

Vou ficando por aqui, não querendo ser demasiado cansativo, mas fica o conselho, dado com toda a humildade. Quem está na senda espírita, quem anda pelos caminhos da Umbanda, estudem, estudem muito, aprendam os mecanismos da mediunidade, as potencialidades da matéria, do poder mental, dos mecanismos de auto-proteção. Não subestimem as dificuldades que podem advir pela displicência, descrença, ou excessiva auto-valorização. Encontrem sempre o caminho do meio, e busquem aprender cada vez mais, pelo estudo, pela introspecção, pelo trabalho espiritual, ouvindo os mestres do outro plano.

Despeço-me, deixando meu pensamento sincero de Luz, Força e Proteção para cada um.


Alex de Oxóssi

Rio Bonito – RJ

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