Violência

O foco de nossos pensamentos direciona nossos atos. Se somos produtos do meio, se somos influenciados por preconceitos, quando chega a hora de nossa redenção, ela ocorre invariavelmente trazendo sofrimentos sem fim, nos fazendo alvo da violência que outrora provocamos.

Se formos lembrar a história se Saulo, depois chamado Paulo de Tarso, dos discípulos mais corajosos do Mestre Jesus, vamos relembrar que ele era perseguidor contumaz dos cristãos, a partir da responsabilidade do primeiro martírio cristão, ao ordenar o apedrejamento de Estevão. Quando convertido ao cristianismo, passou o resto de sua vida sofrendo todo o tipo de perseguições físicas e morais.

Devemos acreditar que todos os perseguidores terão seu caminho de Damasco, e, como Paulo, acabarão colidindo com a estarrecedora verdade que nada do que fizeram tinha sentido, e que aqueles a quem dirigiam sua ira, nada mais eram que seus irmãos, e que a grande verdade é a ausência de divisão de classes, de raças, e que todos estamos na mesma grande viagem da evolução humana.

Esta realidade ainda não faz parte do mundo material, mas quem tem suas viseiras removidas, conseguindo enxergar além, compreenderá que suas dificuldades atuais são consequências de seu tempo de adepto da violência.

Na Umbanda, sabe-se que a guerrilha de dragões da escuridão não se adequa às atitudes dos seguidores do Cordeiro. Ainda não é hora de ser pacífico e desprotegido como as ovelhas que o Mestre apascenta.

Antes de chegar o tempo de calmaria, há necessidade de aqui e acolá, existam guerreiros que tem de atingir um grau de sabedoria suficiente para perceber onde e quando é hora de ser pacífico e quando utilizar austeridade e firmeza absolutas.

Daí, estão junto a nós estas falanges cheias de sabedoria e experiência, dos exus e pombo gira, que são vilmente julgados e mal interpretados, e, malgrado as injustiças que sofrem, cumprem a Lei a favor da Justiça e a Ordem. Se para eles é difícil executar sua missão, muito mais para nós, ainda obliterados por pensamentos equivocados, tentados frequentemente pelas trevas sorrateiras, conseguir cumprir nossos caminhos sem a paralisia da covardia ou a erupção da violência.

Antes então, de esquecer qualquer ação, cada um deve sobretudo encontrar-se, avaliar o caminho que escolheu, evitar tornar-se mais um a sabor das influencias, sem atitude ou não assumindo as próprias opções .

Cada um deve ser realmente dono de si, para reconhecer-se numa situação de violência, vendo o outro como seu igual, e nunca manipular situações de vingança pessoal, de transferência de frustações, enfim, não ser um articulador, um instrumento de violência, mas um agente regulador, mesmo se lhe for atribuído ações severas.

Adquirir a sabedoria de equanimidade, ver a justiça sem os véus do egoísmo, vaidade ou personalismos, finalmente obter a maturidade do espírito, sabendo que a Paz, essa maravilhosa busca traçada pelo Mestre dos Mestres, tem o preço da austeridade mostrada a nós, filhos de pemba, e que nos envia seus emissários para abrirem nossa percepção aos chamados da Verdade.

Alex de Oxóssi
Rio Bonito – RJ

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