OGUM MARÊ – EDENIR COSTA DOS SANTOS

Ogum Marê e a releitura da Revolta da Chibata

O escritor carioca Edenir Costa dos Santos nos remeteu um livro, impresso pela Editora Biblioteca 24 horas. É suboficial da reserva da Marinha, pesquisador da cultura afro-brasileira, graduado em Letras. Sua obra “Ogum Marê” foi escrita em alusão à participação afro-descendente na formação da Marinha Brasileira e ao centenário da revolta dos marinheiros em 1910, segundo seu ponto de vista, sob a influência dos Orixás.

A Revolta da Chibata foi um importante movimento social ocorrido, no início do século XX, na cidade do Rio de Janeiro. Começou no dia 22 de novembro de 1910, porque nessa época, os marinheiros eram cruelmente castigados As faltas graves eram punidas com 25 chibatadas (chicotadas). Esta situação gerou uma intensa revolta entre os marinheiros. O estopim da revolta ocorreu quando o marinheiro Marcelino Rodrigues foi castigado não com 25 mas com 250 chibatadas.

O interessante deste livro é que mostra vários pequenos detalhes diferentes da versão oficial, como as causas destes castigos, entre outras coisas que estão ao longo da obra.

O fato foi que o motim se agravou, houve morte do comandante do navio. Embora isento de culpa, João Cândido, tornou-se o líder desta revolta, ganhando a alcunha de “Almirante Negro”. O livro vai narrando em espiral a trajetória deste homem, com informações para nós inéditas, e muito interessantes.

Após a anistia obtida pelos revoltosos, houve um retrocesso de posicionamento e o presidente resolver aprisionar os marinheiros rebelados, inclusive enviando muitos para o Amazonas, onde precisavam de braços, trabalho quase escravo, para a coleta da borracha, muito importante naquela época. Esta história está obscura, mas aparece com fluidez no relato do livro, pontuado todo o tempo, com a inserção dos Orixás influindo cada momento ocorrido neste episódio.

Mais não podemos relatar sob risco de perder-se a novidade. O autor faz uma conexão com este episódio, o papel do negro nos primeiros tempos da Marinha do Brasil.

O negro recém alforriado da condição de escravidão, ainda muito mal tratado e em condições subhumanas. Daí, ele evoca a presença dos Orixás junto aos afro descendentes influenciando nas decisões e no girar da roda do Destino.

Alex de Oxóssi
Rio Bonito – RJ

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