Pioneiros da Literatura Umbandista

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Por Alexandre Cumino

Nosso objetivo neste capítulo é tratar da literatura umbandista antiga e primeira, o que podemos chamar de fontes primárias na senda literária umbandista, o objetivo é resgatar a memória e a obra da primeira geração de autores umbandistas. Em sua maioria “ilustres desconhecidos” na Umbanda da atualidade. No entanto, alguns deles viriam a se tornar inspiração para uma segunda geração que nem sempre lhes dava os devidos créditos; suas idéias foram passadas adiante, copiadas, alteradas e remendadas.

Nos primórdios da Umbanda não tinha uma literatura própria, pois a religião nasceu da prática, para posteriormente identificar-se com certa  literatura que pudesse lhe valer uma identidade. Neste contexto os adeptos primeiros recorriam aos títulos espíritas e a Bíblia, com o tempo passaram a explorar, também, as religiões orientais, ocultismo, magia, esoterismo e espiritualismo em geral, o que pode ser observado no Primeiro Congresso Brasileiro do Espiritismo de Umbanda.

Nas décadas de 1930 e 1940, a literatura umbandista surge de forma acanhada, da década de cinqüenta para frente podemos localizar uma produção literária abundante e variada, na forma de apresentar a religião em seus vários aspectos. Este crescimento e a pluralidade de filosofias umbandistas acompanham a expansão da religião por todos os estados, onde começam a surgir as Federações de Umbanda, criando mais ideologias e formas distintas de entender e praticar a autêntica e novíssima Religião Brasileira.

Surgiram neste período algumas editoras[1] dedicadas aos títulos de Umbanda, seu mercado se destinava a abastecer lojas de artigos religiosos, também em alta como reflexo do alto fluxo de pessoas participantes da modalidade mediúnica de terreiro, onde se consome enorme variedade de elementos ritualísticos; desde velas, colares e imagens até ossos, dentes e guizos de cascavel. Esta literatura não é levada a sério pelo mercado livreiro, devido ao estilo popular e a falta de citações bibliográficas, ficando claro o método que adotavam para seus escritos. No entanto virá ao encontro de uma necessidade de informação de determinado público, pouco exigente quanto a qualidade ortográfica ou intelectual de seus autores, o umbandista queria respostas para as questões do dia a dia. A procura literária não-intelectual também abrirá campo para os conhecidos livros de receitas, totalmente descompromissados com os valores de ética ou a imagem que passam da Umbanda.

Embora houvesse grande variedade de títulos era comum que os dirigentes espirituais, Sacerdotes de Umbanda, proibissem a leitura para os médiuns e freqüentadores de seus templos, com justificativas variadas. Diziam que “era para não fazer confusão”, “para não desaprender”, “porque não era a hora ainda de estudar aquelas informações” ou “porque médium não tinha que saber nada, quem tinha que saber das coisas eram os guias espirituais”.

As contradições entre uma obra e outra criavam dificuldades de entendimento intelectual na religião, o que pode-se verificar nos textos apresentados no Primeiro Congresso de Umbanda e comprovar durante a leitura deste capitulo.Esta polêmica foi fator crucial para a literatura de umbanda ter surgido muito rápido na década de cinqüenta e na mesma velocidade perder completamente  interesse do público, depois da década de setenta. Nos anos oitenta ainda se encontravam livros “antigos”, mas na década de noventa os mesmos passam a ser raridades garimpadas por umbandistas, colecionadores e pesquisadores, nos sebos que sempre reservam um cantinho para estes títulos tão disputados e escassos.


[1] Entre as primeiras editoras que impulsionaram as publicações de Umbanda, citamos Editora Espiritualista, Editora Eco, Edições Fontoura, Livraria Olímpia e Organização Simões Editora, entre outras.

Esta é uma grande razão para seu resgate histórico, pois as novas gerações não tiveram contato com fontes primárias desta literatura. Vamos acompanhar estes registros históricos da produção de conhecimentos internos na Umbanda.

Antes de apresentar os autores é necessário ainda uma breve reflexão sobre Zélio de Moraes e a literatura de Umbanda:

Zélio de Moraes não escreveu nada sobre a Umbanda, o que temos são reportagens e transcrições de alguns dos pronunciamentos dele e do Caboclo das Sete Encruzilhadas, a maioria deste material foi coletado por Lilia Ribeiro – dirigente da TULEF e responsável pelo Jornal Macaia – uma parte do mesmo nos chegou por meio de Pai Ronaldo Linares e Mãe Maria de Omulu, Sacerdotisa da Casa Branca de Oxalá.[1]

Jornal Macaia – Imagem cedida por Mãe Maria de Omulu

Zélio preparou médiuns para expandir e dar continuidade a sua obra e estes por sua vez nos legaram depoimentos sobre o Pai da Umbanda[2] e a forma como aprenderam a religião em seu berço material, nos braços acolhedores de Nossa Senhora da Piedade.

Faço questão de citar aqui, em primeiro plano, alguns destes senhores que são testemunhas vivas e autores de relatos importantes que devem constar nos anais desta História da Umbanda, são eles:

Leal de Souza, Capitão Pessoa, João Severino Ramos e Ronaldo Linares, que conviveram com Zélio de Moraes, este ultimo tornou-se seu maior divulgador no Estado de São Paulo, relatando suas histórias. Pai Ronaldo é considerado, ainda, por Zilméia de Moraes Cunha, a pessoa que melhor pode falar sobre seu Pai, o saudoso e querido Zélio Fernandino de Moraes.

Entre os pesquisadores da obra de Zélio, além dos citados, destaca-se Jota Alves de Oliveira, colaborador do Jornal de Umbanda e autor dos títulos:

Evangelho de Umbanda

Umbanda Cristã e Brasileira

A continuidade da obra mediúnica de Zélio de Moraes está sob o comando de sua família que mantém até os dias de hoje a Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade em franca atividade. O comando da Tenda passou por Zélia e Zilméia e hoje encontra-se seguro e ativo na espiritualidade e mediunidade de sua neta, Lygia de Moraes Cunha, filha carnal de Zilméia de Moraes Cunha.


IMPORTANTE:

Amados irmãos,toda semana irei falar aqui sobre um autor de Umbanda, irei começar com os Pioneiros na nossa Literatura e melhor lugar para esta pesquisa é no livro “História da Umbanda” de Alexandre Cumino, Ed. Madras (www.madras.com.br), Capítulo 6, pp. 219 – 282. Neste livro há um farto material a respeito, com toda certeza irei precisar de mais material e quem quiser nos enviar esteja a vontade para envio em nosso e-mail povodearuanda@povodearuanda.com.br

Quem quiser copiar os textos que irei colocar aqui esteja a vontade, mas nunca esqueça de mencionar o autor, o livro e principalmente colocar a imagem do livro do nosso irmão, assim estaremos dando créditos e valor a quem fez por merecer.

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