AS DUAS NATUREZAS DO SER HUMANO

1

O Espiritismo nos ensina que o ser humano possui duas naturezas: a do corpo e a do espírito.

Pelo corpo, ele participa da natureza dos animais cujos instintos lhes são comuns; e pela alma, participa da natureza dos espíritos.

Em nosso atual estágio evolutivo, ainda participamos da vida mais pela “natureza dos animais”, pelos instintos, do que pela natureza dos espíritos. A “natureza dos animais” traz em si o instinto de preservação, que é um componente necessário para a evolução física das espécies. Nosso corpo físico evoluiu de espécies inferiores. O corpo físico do ser humano já atingiu o cume de sua forma, mas sua consciência ainda está em evolução. Por isso ainda conserva boa parte dos instintos primitivos de sua era animal.

Muitas existências ainda lhe serão necessárias para seu despertar consciencial, para a obtenção da maturidade espiritual que lhe permitirá reconhecer em seu íntimo que não é um corpo mortal, mas sim um espírito eterno.

O objetivo final de cada um de nós é atingir a angelização, um estado de perfeição espiritual que nos desprendera totalmente da natureza física e, conseqüentemente, dos instintos. Nesse novo estado passaremos a nos identificar com a nossa essência, que é o nosso espírito, e nos livraremos do medo da morte, pois já não habitaremos mais corpos orgânicos perecíveis. Mas isso poderá levar muito tempo, inúmeras encarnações e muito sofrimento, até que possamos compreender o que verdadeiramente somos – seres imortais a caminho da luz.

Apesar de já havermos progredido muito na intelectualidade desde os primórdios dos tempos, pouco progredimos moral e espiritualmente. Por essa razão ainda participamos da vida mais pela natureza dos animais do que pela natureza dos espíritos. E isso é muito fácil de ver. Basta analisarmos o comportamento geral da humanidade, as guerras, os ataques terroristas, os seqüestras, os homicídios, os estupros etc.

A violência é a mais animalesca de nossas atitudes. É com esse instinto que os animais preservam seus territórios, protegem sua prole e, no caso dos carnívoros, obtém seu sustento. Para eles, os animais, esse instinto é um instrumento necessário para sua sobrevivência. O homem já não precisa mais dele para sobreviver, mas ainda não conseguiu despojar-se dele e usa-o com freqüência, um claro sinal de que em muitos aspectos ainda mantém um pé tenazmente fincado em seu primitivismo, a uma época quando ainda precisava recorrer à força bruta para sua sobrevivência.

O medo da morte faz parte desse primitivismo ancestral, do instinto de preservação prevalente na natureza animal. A esse instinto primitivo, próprio da natureza dos animais, Freud denominou id. O id é a manifestação dos desejos primitivos, animalescos. A fome, a sede, o desejo sexual, a ira e todas as paixões inferiores relacionadas aos desejos carnais são próprias do id. O id é hedonista, irracional e quer continuar gratificando seus prazeres a qualquer custo, pois ele não quer morrer.

Vê-se claramente a manifestação do id no estágio da negação – aquele em que o ser humano mergulha ao saber que é portador de uma doença terminal –, identificado pela doutora Kübler Ross como a primeira reação contra a iminência da morte. O id não quer deixar de existir e ele nega veementemente a realidade do nefasto prognóstico. Mirando severamente aquele médico que acaba de dar-lhe a terrível notícia, ele pode vir até a afirmar: “Certamente o senhor está enganado, esse resultado é de outro paciente, não é o meu!” Muitas pessoas reagem: outro paciente, não importa quem seja, pode morrer, mas elas não!

No segundo estágio, o da indignação (que pode ocorrer juntamente com o da negação), o id começa a conscientizar-se, muito contra sua vontade, da realidade da morte que se aproxima. Mas ele não a aceita, obviamente, e enfurece-se, sendo Deus quase sempre o primeiro alvo de sua ira. O id não admite culpa e, além do mais, é orgulhoso. Mesmo sabendo que seus excessos podem ter sido os causadores dos distúrbios que ora lhe arrebata a vida física, ele os nega.

Certa senhora que morria de enfisema pulmonar, culpava os ácaros no ar que respirava ou alguma doença que teve em sua infância pelo doloroso mal que a matava, inocentando assim o seu vício de fumar exageradamente por várias décadas.

Todos são culpados – o meio ambiente, a família, o trabalho, Deus… Menos a sua imprevidência e excessos. Se Deus fosse realmente justo, contesta e protesta, isso não lhe estaria ocorrendo. Mas o id astuto. Percebendo que nem a negação ou a indignação foram capazes de mudar o rumo de seu destino, ele entra no terceiro estágio, o da negociação. Ele passa a negociar com Deus ou com qualquer outra força oculta que acredita ser capaz de interceder a seu favor. Humildemente ele faz promessas de reforma , será uma pessoa exemplar, vai se dedicar a caridade, a melhora do mundo em troca de uma prolongação de vida, de mais tempo na Terra. Esse já é o – primeiro sinal de que o id está perdendo força, seus laços com a matéria já estão afrouxando. Mas quando o id percebe que suas súplicas negociadoras não estão dando resultados, ele entra em depressão, quarto e penúltimo estágio. Ele já se deu conta de que perdeu a batalha pela preservação do corpo físico que comandava, e ao qual tão tenazmente se apegava: está jogando a toalha, por assim dizer. Não é mais possível recuperar seu vigor físico para continuar vivendo. Suas forças se desvanecem apesar dos esforços para manter-se neste lado da vida.

Ele sabe que está morrendo e nada mais pode fazer para impedir seu fim.

Aqui, a primeira das naturezas do ser humano, a do corpo, está obedecendo a uma das mais sagradas leis da criação – a da renovação. Mesmo que o corpo se desintegre, nenhum átomo que compõe os trilhões de células que o formam será perdido. Todos aqueles diminutos centros de energia que se desprenderão delas farão parte de outras formas de vida.

E o espírito sabe disso. Portanto, no quinto e último estágio, da aceitação da morte iminente, essa parte primordial da natureza do homem ganha proeminência – o espírito começa a preparar sua libertação dessa jornada que se finda. Dá-se o início à sua saída da prisão corporal.

Uma ou duas semanas antes da morte, o moribundo dorme a maioria do tempo. Os olhos parece que se recusam a permanecer abertos. Com o corpo quase exaurido de energia vital, as freqüências das ondas cerebrais baixam para alfa e teta, aguçando assim seus sentidos psíquicos. Nesse estágio, a pessoa já começa a “ver” com os olhos da alma.

Retirado do Livro: MORRER NÃO É O FIM – ADMIR SERRANO

Sobre Administrador

Eu tento fazer a minha parte para poder divulgar a minha Religião.
Esse post foi publicado em LIVROS PARA LER e marcado , . Guardar link permanente.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s