Umbanda e Umbandas!


Em informática se diz que o melhor software é aquele que o usuário consegue fazer tudo, ou quase tudo, que ele quer. Esse é o melhor software.

No caso da Umbanda podemos fazer uma analogia, ou seja, a melhor forma é aquela em que a pessoa consegue tudo ou quase tudo que quer. Aí os ensinamentos, a doutrina, os ritos e seja lá o que for a mais, são os ideais e essa pessoa ou essas pessoas sempre terão “arco reflexo psicológico” de repassar esse bem estar aos outros como se aquilo fosse a melhor coisa do mundo, o melhor, a melhor forma.

O ser humano tende, por esse “arco reflexo psicológico”, a propagar aos outros o que ele acha melhor para si, pois foi e é bom para ele, por que não será para os outros também? Então vamos passar adiante o nosso bom e criticar o que não faz parte desse ideal que “me faz tão bem” (a pessoa). Afinal, e “eu vejo os resultados” do que acredito no meu centro, tenda templo, terreiro…

O meu certo é o certo, assim que é a Umbanda; definida e fundamentada nessa prática, nessa lógica, nesse racional, rompendo as crendices, rompendo as tradições, inovando em uma modernidade espiritual, “na minha verdade como Umbandista”, em uma verdade universal(?), nos livros de Kardec, nos livros de outras religiões, nos ensinamentos de ????? ou de ?????, nas palavras do caboclo XYZ, o espírito evoluidíssimo ABCD,…

Parece que nós Umbandistas, ou uma parte considerável de nós, é desesperadamente carente de fé, necessitados de uma tábua de salvação que nos mostre um norte, um rumo… Quando encontramos, quando aquela vibração maravilhosa nos completa, onde resolvemos nossos problemas, onde escutamos palavras maravilhosas, onde encontramos o sacerdote/sacerdotisa que nos abraço e supre as nossas necessidades de filhos/filhas, chegamos ao nosso lugar ideal.

Só que existem vários lugares ideais, vários segmentos maravilhosos. Cada um deles adequado a uma forma de pensamento, a uma forma de encarar a espiritualidade e a vida material, com fundamentos que nós aceitamos como corretos ou mesmo que acabamos entendendo e absorvendo como tal, onde seguimos regras, outro que nos dão liberdade para pensar, ler acertar e errar, outros que são severos e o que vale é o que o sacerdote/sacerdotisa diz…

Um lugar para cada pessoa, uma pessoa para cada lugar. Talvez essa seja a maior contribuição que a Umbanda tenha dado como religião: sua diversidade e a caridade de se flexibilizar ao ponto de que cada pessoa que procura possa encontrar a Umbanda que mais a preencha, mais a complete.

Algo muito interessante nessa característica da Umbanda, sua diversidade, é que ela é o que fez com que a Umbanda sobrevivesse até hoje, pois cada grupamento se formou e se moldou dentro de seus próprios fundamentos e doutrina, absorvendo ou não ensinamentos de outros setores da espiritualidade (dentro da Umbanda ou fora dela), mas acabaram se formando e exercendo suas atividades de ajuda, caridade, práticas e formando ou não sacerdotes ou dirigentes de culto. Só que, essa mesma diversidade que permitiu que tantas formas existentes de Umbanda fossem criadas, é o que mais incomoda a muitas pessoas, muitos Umbandistas, devido a magnitude de sua abrangência.

Vejam bem, a abrangência que a diversidade que a Umbanda permite tanto pode criar boas e novas formas, adequadas ao A, B, C, D, … como também pode abrir espaço aos picaretas ou aquelas formas mais estranhas de culto em que existem procedimentos que são rejeitados por alguns, mas tidos como normais para outros, como:

Trabalhar com Orixás: uns criticam, outros fazem culto;

Trabalhar com sacrifício animal: uns criticam, outros fazem culto;

Trabalhar com fumo e bebida: uns criticam, outros utilizam como parte do culto;

Liberdade para ir em outras casas: uns criticam, outros fazem isso normalmente;

Trabalhar com atabaques: uns criticam, outros fazem culto;

Cobrar alguma forma pecuniária de retribuição (voluntária ou obrigatória): uns criticam, outros utilizam como um forma de manter suas casas abertas;

Formação de escolas doutrinárias: uns criticam, pois vêem a Umbanda como caridade e, pela caridade, se alcança uma evolução (não precisa de livros, sacerdócio, conhecimento…); outros utilizam a escola de doutrina como uma forma de orientação para os médiuns e asssitenciados (variando suas doutrinas e formas);

Conteúdo das escolas de doutrina: uns partem para o espiritismo, Kardecismo, pois vêem que lá existem respostas (que as completam – lembram do melhor software) e valores morais identificáveis (mas não levam em conta as diferenças existentes entre a Umbanda e o Espiritismo); outros vão para uma linha mais exotérica, onde absorveram da teosofia uma gênese para, a Umbanda que satisfaz àqueles que se identificam com essa forma, além de incorporarem diversos rituais tidos como emanados do astral superior (lembram do melhor software); outros adotaram uma postura racionalista, em uma prática de várias possibilidades, e até na formação de sacerdotes; outros mesclam o exotérico, o espírita, o africano, formam sacerdotes… Cada um procurou o seu melhor software…

Trabalhar com fundamentos africanistas: uns combatem dizendo que é algo supersticioso, crendices, valores antigos …; outros tentam a muito custo preservar raízes para que os mais novos tenham onde se sustentar no futuro.

Vendo tudo isso eu chego à conclusão de que nós somos os nossos piores inimigos. Os Umbandistas são os piores inimigos da própria Umbanda, pois ainda não sabemos respeitar a Umbanda dentro daquilo que ela se manifesta, dentro daquilo que ela apresenta: sua diversidade.

Uma vez Pai Cipriano me pegou e disse: “Meu filho, que direito você tem de dizer que aquilo que a pessoa pratica,é certo ou errado? Talvez o que você veja como errado possa ter salvo a vida de alguém, possa ter tirado uma pessoa do vício … Não existe o certo ou o errado, isso vai de cada um, de cada visão, de cada forma de pensar, de cada lugar com suas leis, em que em um lugar algo é condenado, mas em outro é louvado…”

Ele deixou isso na minha cabeça e passei a tentar ver as coisas de outra maneira. Posso deixar claro que aquilo (aquela forma de prática e pensamento), para mim, representa algo ou não, porém, sei que para outros é questão de fé, de encontro e de realização.

Existem questões que são muito complicadas, muito mesmo, mas grande parte vai de encontro à formação do sacerdote. O próprio preconceito que existe dentro da Umbanda, entre os Umbandistas, é algo que poderia ser erradicado se os sacerdotes tomassem outra postura em relação às outras formas de culto Umbandistas. Os problemas inerentes aos charlatões que vemos por aí também passa pela mão dos sacerdotes, pois são eles que formam e, se formam errado, não é culpa da pessoa que é formada.

Com relação a essa questão de diploma e curso de formação de sacerdotes, também acredito que passe pelas mãos dos sacerdotes que compõem as federações que se utilizam desse tipo de formação. Na realidade a, responsabilidade de formar é deles, mas não são responsáveis pelo que o formado irá fazer.

É o caso de uma faculdade de medicina. Ele forma o médico, mas se o cara irá ser uma bom ou mau médico é outra questão.

Algumas pessoas já levantaram bandeiras em relação a um conselho de ética para a Umbanda, em relação ao sacerdócio, só que é muito difícil formar um conselho para esse fim.

Ele teria que ter por base que a Umbanda é uma religião diversa e não submetida a uma única forma e sim a uma diversidade de formas. Teria que haver um consenso do que é errado e o que é certo, e isso é um peso muito grande.

Imaginem o caso de um conselho desses que estipula-se que em uma casa de Umbanda é proibido ter atabaques, por exemplo. Imaginem o impacto, que isso causaria. Ou que um conselho desses estipulasse que um gongá deva ser assim e assado, ou que a roupa de culta tem que ser azul, ou que é proibido dentro da Umbanda a utilização de livros Espíritas como forma de doutrina, ou que é proibido o uso d,e imagens de santos católicos… E aí, como fica a Umbanda?

Eu acredito que a complexidade em que chegamos, seja tal que é muito difícil definir, em termos de culto e práticas, o que é certo e o que é errado de uma forma precisa. A não ser nos casos, mais patentes como sacerdote que abusa sexualmente de filhos de santo e assistenciados, cometem extorsão, abusam do sacrifício animal, … Ou seja, o que está na lei dos homens e que é passível de punição.

Talvez o que ajudasse seria o que já acontece, dentro do próprio protestantismo, ou seja, a caracterização das formas de culto dentro do que elas professam como é o caso da IURD, da Assembléia de Deus, Igreja Prebisteriana, Igreja Metodista…

Embora todos sejam cristãos, existe uma individualização dentro de suas práticas. Ou seja, as práticas da IURD, são inerentes a IURD, e não a Igreja Metodista, assim como as práticas da Igreja Assembléia de Deus são inerentes a ela e não a Igreja Batista.

Acredito que se nós assumíssemos isso, ou seja, se as ramificações dentro da Umbanda se assumissem, ficaria mais fácil de enxergar que essa ou aquela prática é inerente aquele seguimento especificamente (isso ia acabar com essa história de um dizer que o outro não pode, pois o meu é que é verdadeiro).,Só que o que vemos por aí é o cara fazendo isso ou aquilo e dizendo que é Umbanda (como se todas assim o fizessem: de bom e de ruim) e, em outros casos, existem aqueles que dizem que isso ou aquilo não faz parte da Umbanda (só a dele é que é boa). Não seria mais fácil dizer que essa prática é inerente a Umbanda X, ou que aquela prática é inerente a Umbanda Z … que essa formação sacerdotal é inerente a Umbanda ABC … que na Umbanda CBA o cara faz um curso de x meses ou anos e sai dali qualificado para se,r sacerdote…?

O que eu vejo é que hoje existem tantas formas inerentes à Umbanda, mas a grande parte se diz puramente Umbandista e que a Umbanda e assim e assado, que qualquer tipo de certo ou errado acaba ficando mascarado ou difícil de definir dentro do campo da fé.

É mais ou menos como se a IURD dissesse que o Cristianismo é o que ela pratica que a Igreja Batista dissesse que o Cristianismo é o que ela pratica, e assim por diante…

Por outro lado, parece que tem gente ainda tentando ser Papa da Umbanda e “obrigando” as pessoas a verem a Umbanda de uma maneira específica dentro de seus usos e costumes e, de uma forma ou de outra, o que irá acontecer, mais cedo ou mais tarde, é que a individualização das formas irá acontecer de uma maneira inevitável. Então, daqui há uns 10 ou 20 anos, talvez menos, o iniciado ou mesmo o assistenciado não irá se confundir e saberá que essa prática, essa forma, essa manifestação ou mesmo essa doutrina é inerente a essa ou aquela forma de Umbanda.

Será que um Cristão pode dizer que a sua forma é a correta?

Será que um Budista pode dizer que a sua forma é a correta?

Será que um Candomblecista pode dizer que a sua forma é a correta?

Por que será que o Umbandista tem a mania de dizer que aquilo que ele faz é o correto para o, todo religioso da Umbanda?

Autor: Etiene Sales

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