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XX

OS PROTETORES DA LINHA BRANCA DE UMBANDA

Os protetores da Linha Branca de Umbanda e Demanda, invariavelmente são, ou dizem que são, caboclos ou pretos.

Entre os caboclos, numerosos foram europeus em encarnações anteriores, e a sua reencarnação no seio dos silvícolas, não representa um retrocesso, mas o início, pela identificação com o ambiente, da missão que, como espíritos, depois de aprendizado no espaço, teriam de desempenhar na Terra. Outros pertenceram, na última existência terrena, a povos brancos ou Ocidente, ou amarelos, da Ásia, e nunca passaram pelas nossas tribos. Os restantes, porém, com o círculo de sua evolução, reduzidos, até o presente, à zona psíquica do Brasil, têm encarnado e reencarnado, com alternativas, em nossas cidades ou matas, estando, quase todos, no espaço, há mais de meio século. O mesmo, quanto a negros.

Esses protetores se graduam numa escala que ascende dos mais atrasados, porém cheios de bondade, aos radiantes espíritos superiores.

O protetor, na Linha Branca é sempre humilde e, com a sua língua atravessada, ou incorreta, causa uma impressão penosa de ignorância, mas freqüentemente, pelos deveres de sua missão, surpreende os seus consulentes, revelando conhecimentos muito elevados.

Exemplo:

Uma ocasião, numa pequena reunião de cinco pessoas, um protetor caboclo descarregava os maus fluidos de uma senhora, enquanto também incorporado, um preto velho, Pai Antônio, fumava um cachimbo, observando a descarga.

– Cuidado, caboclo avisou o preto. O coração dessa filha não está batendo de acordo com o pulso.

– Como é que Pai Antônio viu isso? Deixe verificar, pediu um médico presente à sessão.

Depois da verificação, confirmou o aviso do preto, que o surpreendeu de novo, emitindo um termo técnico da medicina, e explicando que o fenômeno não provinha, como acreditava o clínico, de suas causas fisiológicas, porém de ação fluídica, tanto que terminada a descarga, se restabelecia a circulação normal no organismo da dama. E assim aconteceu.

O doutor, então, quis conversar sobre a sua ciência com o espírito humilde do preto, e, antes de meia hora, confessava, com um sorriso, e sem despeito, que o negro abordara assuntos que ele ainda não tivera oportunidade de versar, e estranhava:

– Pai Antonio não pode ser o espírito de um preto da África e não se compreende que baixe para fumar cachimbo e falar língua inferior ao cassanje (dialeto crioulo do português falado nessa região; por ext. português mal falado e escrito.)

-Eu sou preto, meu filho.

-Não, Pai Antonio. O senhor sabe mais medicina do que eu.

Por que fala desse modo? Há de ser por alguma razão.

O preto velho explicou:

-Eu não baixo em roda de doutores. Doutor, aqui só há um, que és tu, e nem sempre vens cá. Depois, meu filho, se eu começo a falar língua de branco, posso ficar tão pretensioso como tu, que dizes saber menos medicina de que eu, disse, numa linguagem, arrevesada, que traduzimos.

Os protetores da Linha Branca em geral se especializam, no espaço, em estudos ou trabalhos de sua predileção na Terra e baixam aos centros e incorporam para um objetivo definido. Acontece, porém, que muitas vezes são induzidos a erros pelos consulentes, com a cumplicidade dos presidentes de sessões. Uma pessoa os interroga sobre assunto de que não tem conhecimento pleno.

– Não entendo disso, meu filho.

Na sessão imediata, e nas outras, o curioso ou necessitado, insiste no seu pedido interrogativo, até que o trabalhador do espaço, receoso de inspirar a desconfiança com a confissão de sua ignorância, embarafusta pela seara alheia, e comete erros, logo remediados pelo chefe do terreiro, que é um espírito conhecedor de todos os trabalhos e recurso da Linha.

Salvo em caso de necessidade absoluta, os protetores da Linha Branca de Umbanda incorporam sempre nos mesmos médiuns. As razoes são simples e transparentes: habituaram-se a mover aqueles corpos, conhecem todos os recursos daqueles cérebros, e, pela constância dos serviços, matêm os seus fluidos harmonizados com os dos aparelhos, o que lhes facilita a incorporação, aliás sempre complexa e, em geral, custosa: – quanto mais elevado é o espírito tanto mais difícil a sua incorporação.

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