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XIV

A MAGIA NEGRA

Despindo-se, através dos tempos, de sua imponente pompa litúrgica, a Magia Negra conserva, por toda parte, a quase totalidade de seu poder terrífico de outrora.

Como a Branca, que lhe é adversa, a Magia Negra para consecução de seus objetivos, opera com as forças da natureza, propriedades de produtos da fauna e da flora do mar, de corpos minerais, de vegetais de vísceras e órgãos animais, com elementos do organismo humano, e com atributos ou meios só existentes nos planos extraterrestres. A sua influência atinge as pessoas, os animais e as coisas.

As entidades espirituais que realizam esses trabalhos possuem sinistra sabedoria, recursos verdadeiramente formidáveis, e energia fluídica aterradora.

Um desses espíritos tem se prestado à experiências, não só diante de conhecedores do espiritismo, como perante pessoas de brilho social no círculos da elegância. Assim, tomando o seu aparelho, isto é, incorporando-se ao seu médium, faz triturar com os dentes, sem ferir-se, cacos de vidro. Caminha, de pés descalços, sobre um estendal de
fundos de garrafas quebradas, seno que, por duas vezes, convidados, levaram as garrafas e as quebraram, aguçando lâminas pontudas para o passeio do médium.

Ele demonstrou de uma feita, a um grupo de curiosos da alta sociedade, a importância de coisas aparentemente insignificantes. Nos centros do espiritismo de linha, pede-se, durante as sessões, que ninguém encruze as pernas e os braços. Parece uma exigência ridícula, e não o é.

Provou-o, o Exu.

Quando, incorporado, passeava descalço sobre os cacos de vidro, para fazer compreender a transcendência daquela recomendação, mandou que uma senhora trançasse a perna, e logo os pedaços de vidro penetraram, ensangüentando-se, os pés que os pisavam.

Para comprovar a força dos pontos da magia (desenhos emblemáticos, cabalísticos ou simbólicos), produziu uma demonstração sensacional.

Escolheu sete pessoas, ordenou-lhes que se concentrassem sem quebra da corrente de pensamento, riscou no chão um ponto e decapitou um gato, cujo corpo mandou retirar, deixando a cabeça junto ao ponto.

– Enquanto não se apagar esse ponto, esse gato não morre e essa cabeça não deixa de miar.

Durante dezessete minutos, a cabeça separado do corpo miava dolorosamente na sala, enquanto lá fora, o corpo sem cabeça se debatia com vida. Os assistentes começavam a ficar aTerrados. Ele apagou o ponto, e cessaram o miado gemente da cabeça sem corpo e as convulsões do corpo sem cabeça.

Tais entidades tem ufania de seu poder; são com freqüência, irritadiças e vingativas, mas, quando querem agradar a um amigo da Terra, não medem esforços para satisfazê-lo. As suas lutas no espaço, por questões da Terra, tem a grandeza terrível das batalhas e das tragédias.

Essa magia exerce diariamente a sua influência perturbadora sobre a existência, no Rio de Janeiro. Centenas de pessoas de todas as classes, pobres e ricos, grandes e pequenos, por motivos de amor, por motivos de ódio, por motivos de interesse, recorrem aos seus sortilégios.

A política foi e continua a ser dos seus melhores e mais assíduos clientes.

Durante a revolução de São Paulo, essas hordas do espaço travaram pugnas furiosas, lançando-se umas contra as outras. As que se moveram pelos paulistas esbarraram com as que foram postas em ação em favor da ditadura e esses choques invisíveis nos planos que os nossos sentidos não devassam, certo ultrapassaram, em ímpeto, as arremetidas do plano material. Sobre o enraivecido desentendimento das legiões ditas negras, pairavam as falanges da Linha Branca de Umbanda e os espíritos bons e superiores de todos os núcleos de nosso ciclo, levantando muralhas fluídicas de defesa para que os governantes de São Paulo e do Rio não fossem atingidos pela perturbação, e na plenitude de suas faculdades, medindo a extensão da desgraça, compreendessem a necessidade de negociar e concluir a paz.

Nesses dias da guerra civil, os terreiros da Linha Branca de Umbanda tinham um aspecto singular: – estavam cheios de famílias aflitas, e quase desertos de protetores, pois as falanges todas se achavam no campo das operações militares, esforçando-se para atenuar a brutalidade da discórdia armada…

A atividade da Magia Negra tem três modos de ser contrastadas: a oposição de seus próprios elementos, a defesa a que se obriga a Linha Branca de Umbanda e a atuação dos Guias Superiores.

Creio que, perdendo a solene pompa do cerimonial antigo, a magia perdeu em eficiência, porque a colaboração do elemento humano pensante e sensível diminuiu. O homem que aspira ao domínio da magia necessita de aprofundar-se em estudos muito sérios, sobretudo os da ciência, para conhecer as propriedades dos corpos, e suas afinidades, e precisa, ainda, desenvolver e governar, com intransigência de ferro, as faculdades da alma, as forças físicas e as energias do instinto. Isso não é fácil, e o praticante da magia, em nosso tempo, tem de subordinar-se, em absoluto, a vontade de um espírito, que, em geral, só lhe permite um lucro mesquinho.

Nessas condições o individuo que se poderia chamar o mago negro cada dia se tornara mais raro, desaparecendo, a pouco e pouco, o contato da humanidade com essa ordem de espíritos.

Nos centros dessa magia, conforme a finalidade das reuniões, os aparelhos humanos laboram vestidos, desnudos da cinta para cima ou totalmente despidos. Trabalha-se com entusiasmo, até para o bem, quando lhes encomendam.

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