PRECONCEITO, INTOLERÃNCIA RELIGIOSA?

Caros Irmãos de Umbanda,

muitos tentam demonstrar com palavras fortes, ou ainda com palavras de rancores, sobre a intolerância e o preconceito de adeptos de outras Religiões, mas Robson Pinheiro faz diferente conta uma realidade que muito acontece em nossos Terreiros, na maioria das vezes esses fatos acontecem conosco mesmo, ou seja, ou quando levamos nossos irmãos de outras Religiões nos Terreiros que somos filhos, ou quando nosso próprio inicio dentro da Umbanda, e quando estas pessoas ou mesmo nós chegamos pela primeira vez dentro de um Terreiro ficamos de imediato decepcionados e ao mesmo tempo ficamos apaixonados e maravilhados com a simplicidade de um Terreiro de Umbanda e a grande magia que aquele recinto, aquele Templo faz em nossos corações. Eu não sei como podemos chamar, mas tenho certeza que sempre chegamos a lágrimas, nossos rostos ficam avermelhados de vergonha, por ter pensado tão mal de um lugar que transmite tanta paz, foi assim comigo, foi assim com Dona Niquita (do Livro do Robson), talvez foi assim com você e com seu Pai ou Mãe no Santo.

Então nos faz repensar se é que existe mesmo um preconceito e intolerância Religiosa, ou há ignorância na forma mais simples, ou seja, desinformação a respeito de nosso Culto, e se for isso nós Umbandistas somos o grande culpado desse preconceito e dessa intolerância, pois não repassamos o que é UMBANDA, o que é o CULTO de Umbanda, tentamos de toda forma e maneira esconder o que sentimos, o que pensamos, ou que nos é repassado, talvez o MAIOR dos preconceituosos somos NÓS mesmos.

Um dia um grande irmão do Orkut, Guardião das 7 Encruzilhadas, escreveu em sua página pessoa essa frase:

“Antes de se preocupar com o preconceito ou intolerância de pessoas de outras Religiões, devemos nos preocupar com o preconceito e intolerância dentro de nossa própria Religião.”

Deixo abaixo o texto que retirei do Livro Tambores de Angola:

(…)

Dona Niquita resolveu procurar orientação na tenda de Umbanda .» que Ione freqüentava. Embora um pouco apreensiva, pois achava Ione um pouco mística, não conhecia outra maneira de ajudar seu filho. Venceu as primeiras barreiras criadas pela desinformação e pôs-se a caminho.

A tenda umbandista ficava do outro lado da capital, em bairro afastado da região central. D. Niquita nem ao menos viu o barulho e a confusão do trânsito, tais as suas preocupações. Ia acompanhada de Ione, que falava o tempo todo, como se tempo todo, como se quisesse catequizar a companheira e tomá-la umbandista também.

D. Niquita não estava interessada em outra coisa diferente da melhora do filho. Para ela nada mais importava.

Estava disposta a tudo e, como boa católica que era, estava armada com o seu rosário e uma dezena de nomes de santos na cabeça, rezando a Salve-Rainha e dirigindo-se a uma tenda para falar com os ”guias”, como Ione chamava os orientadores espirituais da religião.

Umbanda. Um mistério envolve de tal forma essa manifestação religiosa que se toma difícil para o leigo saber a sua origem e o seu significado. Seus rituais tomaram-se tão misteriosos que os brasileiros com o seu misticismo natural, foram explorados por aqueles que nenhum escrúpulo tinham em relação à fé alheia. Mas essa não é característica da Umbanda. Por todo lugar onde há o sentimento religioso, manifestam-se pessoas inescrupulosas, que abusam da fé alheia. Protestantes, católicos, espíritas, espiritualistas, esotéricos e também umbandistas não estão livres do comércio e do abuso das almas alucinadas. Mas, no Brasil, essa terra abençoada onde as pessoas preferem julgar antes e, talvez, conhecer depois, a Umbanda, por se manifestar, na maioria das vezes, para aqueles possuidores de uma alma mais simples, de uma fé menos exigente que os tomam vítimas dos pretensos sábios e donos da verdade, recebeu uma marca, um rótulo, que aos poucos, somente aos poucos, vai-se desfazendo. Isso ocorreu também devido às manifestações de sectarismo religioso, antifraterno e anticristão de uma minoria, o que gerou o preconceito contra os rituais da Umbanda, seu vocabulário, suas devoções.

Esse preconceito meio velado é que fazia D. Niquita armar-se contra tudo. Preparou o talão de cheques, pois ouvira falar que nestes lugares se cobrava, e muito, para realizar um ”trabalho”, quem sabe algum despacho ou ”ebó”, como ouvira algum dia na televisão. Mas bem que tinha uma certa inclinação para essas coisas.

Embora fosse católica apostólica romana, de vez em quando recorria às rezas, aos benzimentos e a outras possibilidades que Ione lhe ensinava, mesmo porque ”Ione é uma médium muito forte, só não é desenvolvida.

Mas o que importa? Médium é médium”, pensava ela em sua ignorância das coisas espirituais.

Dentro do carro, olhava para Ione meio desconfiada, imaginando encontrar no ”centro” toda uma parafernália de instrumentos de culto, animais para serem mortos, velas e defumadores, cânticos estranhos e muita cachaça; afinal, não era assim que falavam nos comentários de televisão, e não era assim que a ”caridade” do povo se referia ao culto? Talvez encontrasse também um povo esquisito, vestido com roupas espalhafatosas, com imensos colares extravagantes pendentes do pescoço e fumando charutos.

– Ai, meu Deus! – Deixou escapar D. Niquita.

– Onde me meti?

– O que foi que a senhora disse, D. Niquita?

– perguntou Yone, que se distraíra.

– Tudo bem! Tudo bem! Eu faço tudo por meu filho. Estava apenas rezando sozinha – mentiu.

Aproximaram-se do local, que tinha aspecto agradável e era localizado em rua arborizada. Antes de chegar, pôde ver muitos carros parados em frente a uma casa de aspecto simples, mas de bom gosto. Pararam o carro e desceram. D. Niquita conservava-se pensativa e esperava ver a multidão de gente ”esquisita” entrando
escondida em algum lugar escuro e de aspecto diferente.

Esta foi a sua primeira decepção. Deparou com pessoas alegres, joviais, efusivas. Foi recebida com imenso carinho, enquanto Yone a apresentava aos amigos, que lhe cumprimentavam com um ”sarava”, frase característica de nossos irmãos umbandistas.

Adentrou a casa ou tenda, como era chamada pelos freqüentadores; então teve mais uma surpresa e, quem sabe, uma decepção.

Nada de ambiente escuro, malcheiroso nem de pessoas diferentes. Encontrou pessoas normais. Tão normais quanto ela mesma. Sorridentes, porém, respeitosas pelo ambiente onde se encontravam. O cheiro de rosas e outras ervas que não pôde identificar enchia o ambiente de um agradável odor, que lhe fazia imenso bem. Foi acalmando-se intimamente. O efeito das ervas aromáticas foi aos poucos estabelecendo aquele estado íntimo de intensa tranqüilidade. Cheiro suave e agradável. Nada do que imaginara anteriormente.

O salão era de uma simplicidade que desafiava tudo que pensara antes. Havia cadeiras dispostas com regularidade para a assistência; ao fundo, uma mesa, que servia de altar, com uma imagem de Jesus de Nazaré, duas velas acesas ao lado e copos com água formavam a maior parte dos utensílios do culto. Tudo simples.

Muito simples.

Entre o altar e a assistência havia uma divisão com um espaço relativamente grande, que D. Niquita não sabia para que servia. Ela, porém, estava desarmada, decepcionada com a simplicidade do ambiente.

Ione aproximou-se de D. Niquita e conduziu-a para outra repartição da tenda, um pequeno cômodo onde ela seria entrevistada por um companheiro da Casa.

– Não me deixe sozinha, pelo amor de Deus!

– Que é isso, amiga? Fique tranqüila! Só vamos anotar-lhe os dados para registro.

Entraram no pequeno aposento, e pôde notar uma escrivaninha com duas cadeiras em frente e um retrato fixo na parede dos fundos. Era de um preto velho, simpático e sorridente, que olhava para o alto como se estivesse fixando as nuvens num céu de anil.

Um senhor a atendeu com expressão de carinho e perguntou-lhe:

– É a primeira vez que vem a uma tenda de Umbanda?

Olhando para Ione, demorou a responder:

– Sim! Claro! A minha amiga me convidou, sabe? Eu estou com uns probleminhas. Na verdade não sou eu, é o meu filho, sabe?

– Não se preocupe, senhora; tudo a seu tempo. Eu apenas pergunto para saber quanto conhece a respeito do nosso culto. Como é seu primeiro contato com a Umbanda, nós nos colocamos à disposição para qualquer esclarecimento às suas dúvidas e pedimos que se sinta à vontade em nosso meio, pois aqui somos uma família.

Todos aqui trazemos problemas por solucionar, mas graças a nosso Pai Grande, estamos unidos para tentar também auxiliar os outros, na medida do possível.

Após a conversa inicial, D. Niquita ficou mais calma. No entanto, pensava em quanto cobrariam para fazer o ”trabalho” para seu filho. Será que teria dinheiro bastante?

Foi conduzida para o local da assistência e sentou-se junto à companheira Ione. Pôde observar também que a maioria das pessoas estava de branco e se ajoelhava no chão para orar. Imitou-os no procedimento. Orou.

Orou com um sentimento que nunca tivera antes. Lágrimas vieram-lhe à face. Foi despertada desse estado elevado de consciência quando Ione tocou-lhe de leve, entregando-lhe um papel com algo escrito. Levantou-se lentamente, sentou-se e abriu o papel. O que estava escrito bastou para que se desfizesse qualquer barreira que porventura ainda restasse. Leu então com todo o interesse de sua alma. Saciou sua sede e satisfez sua curiosidade. Desarmou-se ante o que estava escrito. Abriu seu coração para as ”claridades de Amanda”, como dizem os nossos irmãos, e pôde então compreender que julgara mal aquelas pessoas e que, se estava ali precisando da ajuda delas, não tinha o direito de manter barreiras no coração.

O folheto dizia simplesmente:

”Meu filho, minha filha. Que as bênçãos do nosso Pai Maior estejam em sua vida. Sarava.

Você está numa tenda umbandista. Talvez você não tenha vindo aqui por livre escolha.

Talvez as dificuldades da vida lhe tenham indicado o caminho. Quem sabe, a curiosidade natural que invade seu coração.

Mas não importa. Você está aqui. E nós, também.

Queremos esclarecer a você que neste recinto reina a disciplina e o respeito por nossos guias e pelas leis da Umbanda. Aqui se pratica a caridade e, por isso mesmo, não se cobra nada pelas orações e pelos conselhos que aqui são prestados. Somos trabalhadores do Pai Maior e não temos outro objetivo que não seja servir de instrumentos para que os guias realizem seu trabalho. Não tratamos de nenhum assunto que possa prejudicar ao próximo. Não fazemos despachos, oferendas ou matanças de animais. Nossa lei maior chama-se UMBANDA e, para nós, significa união, caridade, crescimento e integração com a lei da vida.

Seja bem-vindo, vibre harmonia, bemestar e prosperidade, e que os guias iluminem sua vida para encontrar a resposta aos seus questionamentos e a solução para suas dificuldades.

Sarava os guias da Umbanda! :

Sarava o Pai Maior!” .:;

– Então, havia muito compromisso por parte daquelas pessoas? Isso queria dizer que as informações que ouvira de uma e outra fonte estavam equivocadas? Meu Deus, como a gente faz idéia errada das pessoas… – pensava consigo mesma.

(…)

FONTE: Páginas 53 a 60 do Livro Tambores de Angola – Robson Pinheiro Santos – Ditado pelo Espírito Ângelo Inácio –

 

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