RESPOSTA A ALGUNS “ESPIRITAS” FANÁTICOS

Noberto Peixoto

A clareza mental do codificador do Espiritismo se constata pela precisão de sua linguagem e na abordagem dos temas, pois teve uma coragem e um inconformismo que pairou acima dos preconceitos e dogmas religiosos de sua época. Infelizmente o espírito kardequiano está um pouco esquecido numa grande parte dos que se dizem espíritas.

Mostram-se crentes fanáticos como se fossem de uma religião fundamentalista, e, de forma paradoxal, despreparados para exercitar o “ser espírita” preconizado por Kardec, inserido no aspecto religioso da Doutrina, contido no livro “O Evangelho Segundo o Espiritismo”.

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Este título, uma das obras básicas, divide os Evangelhos em cinco partes: “os atos ordinários da vida do Cristo; os milagres; as profecias; as palavras que serviram para o estabelecimento dos dogmas da Igreja; e o ensino moral”. A parte moral foi considerada, pelos espíritos iluminados que conduziram a Codificação, de suma importância, tanto que as demais são ínfimas se comparadas em número de páginas com ela. E Kardec acrescenta: “Esta parte constitui o objeto exclusivo da presente obra”.

Logo, podemos concluir com toda a segurança que religião, no enfoque espírita, é antes de tudo uma questão de conduta moral, que deveria se refletir no comportamento dos que adotam o Espiritismo. Infelizmente isto não se verifica na prática, o que atribuímos ao atavismo arraigado dos homens, obviamente desvinculado da essência do que é “ser espírita”. Allan Kardec nunca preconizou que o espírita verdadeiro seria este ou aquele, pois não existem falsos espíritas, o que fazia com que ele admitisse que os indivíduos permanecessem ligados às suas igrejas e templos. O Espiritismo sendo uma doutrina filosófica, como tanto insistiu o Codificador, não há possibilidade da existência de espíritas melhores do que outros, falsos ou verdadeiros. Constatamos um fanatismo religioso desconectado do aspecto moral da doutrina espírita, que denota instabilidade e despreparo espiritual dessas pessoas que não têm nada a ver com o Espiritismo, muito menos com o Plano Espiritual.

Bebamos direto da fonte de luz para clarearmos nossos raciocínios. Transcrevemos a seguir algumas palavras de Allan Kardec extraídas de “O que é o Espiritismo”, obra de domínio público:

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“A doutrina hoje ensinada pelos espíritos nada tem de novo; seus fragmentos são encontrados na maior parte dos filósofos da Índia, do Egito e da Grécia, e se completam nos ensinos de Jesus Cristo”.

“Sob o ponto de vista religioso, o Espiritismo tem por base os verdadeiros fundamentos de todas as religiões: Deus, a alma, a imortalidade, as penas e recompensas futuras. Mas é independente de qualquer culto particular. Seu fim é provar a existência da alma aos que negam ou que disso duvidam; demonstrar que ela sobrevive ao corpo e que, após a morte, sofre as conseqüências do bem e do mal que haja feito durante a vida terrena – e isto é comum a todas as religiões”.

“Como a crença nos Espíritos é igualmente de todas as religiões, assim é de todos os povos, por isso que onde há homens há Espíritos e, ainda, porque as manifestações são de todos os tempos, e seus relatos, sem qualquer exceção, se acham em todas as religiões. Assim, pois, pode-se ser católico, grego ou romano, protestante, judeu ou muçulmano e crer nas manifestações dos Espíritos e, conseqüentemente, ser-se espírita. A prova está em que o Espiritismo tem adeptos em todas as religiões”.

“Não sendo os Espíritos mais do que as almas, não é possível negar aqueles sem negar estas. Admitindo-se as almas ou Espíritos, a questão se reduz à sua expressão mais simples: as almas dos que morreram podem comunicar-se conosco?” .

“O Espiritismo prova a afirmação com os fatos materiais. Que prova podem dar que isto seja impossível? Se o é, nem todas as negações do mundo impedirão que o seja, porque isto não é um sistema, nem uma teoria, mas uma lei da natureza. E contra as leis da natureza é impotente a vontade dos homens.”

Allan Kardec, se estivesse encarnado entre nós, diria que a Umbanda é de crença espírita? Com certeza a resposta é sim.

Imploramos ao Alto que os que se dizem espíritas na Terra resgatem o senso de observação de Allan Kardec, desprovido de quaisquer preconceitos. Analisem, observem, estudem e compreendam a Umbanda e, antes de qualquer coisa, respeitem-na como expressão mediúnica da espiritualidade superior para socorrer e amparar os necessitados do corpo e da alma.

Vamos nos dar as mãos, independente de fé, crença, raça, religião, sexo e classe social. Vamos nos amar uns aos outros.

Titulo Original: A Umbanda é de crença espírita?

Noberto Peixoto

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