História do Omoloko

 

Fonte: http://www.omoloko.org.br

 Segundo nosso entendimento, o Omoloko começou a existir como uma das variantes de religião afro-brasileira que passou a ser praticada no Brasil a partir de algum tempo no passado, depois da chegada dos escravos negros. Provavelmente de maneira precária no início, pela falta de liberdade dos escravos para qualquer tipo de organização, mas, com o decorrer do tempo e com as leis que foram aos poucos mudando as condições de vida dessas pessoas, de maneira mais organizada e completa – e o Omoloko, nesse particular, em nada difere das outras variantes religiosas afro-brasileiras. O que o torna particular é que ele se estruturou inteiramente no Brasil, tendo influência de diversos rituais religiosos africanos, principalmente os dos povos que vieram de regiões que hoje são o Congo, Angola, Moçambique, Nigéria, Benin, Camarões – e, portanto, diferente dos Candomblés, por exemplo os de origem Yoruba, que ainda hoje guardam forte predominância de influência de sua região de origem, e aqui se organizaram obedecendo a um  padrão religioso e cultural já preestabelecido nessas origens. O Omoloko fazia parte do que se chamava, nos fins do século XIX e início do século XX, de Makumba, no Rio de Janeiro; segundo os estudiosos, também a Makumba se originou de diversas procedências, conforme a influência de suas regiões de origem na África; assim, existia a Makumba Mina, a Rebolo, a Cabinda, a Congo, etc.O Omoloko organizou-se majoritariamente na Zona da Mata em Minas Gerais, no estado do Rio de Janeiro, no nordeste do estado de São Paulo e em parte do Espírito Santo; o nome é  Yoruba e existem várias opiniões a respeito de seu significado. Uns dizem que significa “filhos do tempo”, porque no início, devido à falta de recursos, seus adeptos praticavam-no ao ar livre, ou debaixo das árvores, ou debaixo das árvores chamadas Iroko. Outros atribuem à palavra sentido mais literal e abrangente, como “filhos da fazenda”, ou mesmo “filhos da roça”, designando os negros vindo do meio rural e que professavam tal religião, haja vista serem muitas dessas organizações estabelecidas mesmo nas roças, ou em áreas afastadas das cidades.

O Omoloko praticado por nós foi instituído por uma escrava, nascida na África, que no nosso meio ficou conhecida como Maria Batayọ.

 

História de Batayọ

 Maria Batayọ nasceu por volta de 1.797 na África. Veio com vinte anos como escrava para o Brasil, para trabalhar numa fazendo do estado do Rio de Janeiro. Foi embarcada no Forte da Mina e tinha procedência Mina Je San, segundo uma das versões; outra versão conta que Batayọ era uma negra Bini, que são os habitantes da região da cidade de Benin na Nigéria, povo que reivindica para si descendência dos Yoruba de Ife. Seus contemporâneos de culto afro-brasileiro no Brasil diziam dela que era Nago, quando queriam compará-la com outros praticantes do Omoloko. Já veio feita da África, era de Nanan e foi feita por Sanguerabu, um africano que nunca pisou o solo brasileiro e que era das terras de Egun (também conhecido como Popo ou Je), povo de língua da família Ewe, nas cercanias de Porto Novo, na Baía de Benin, no litoral do antigo Daomé, atual Benin.Seu nome, de fato, parece ter sido Tayọ. Era chamada assim na fazenda em que trabalhou. “Ba” talvez tenha sido agregado mais tarde, talvez nos meios religiosos afro-brasileiros que freqüentou, e “Maria” foi o nome adotado em terras brasileiras. Batayọ era escrava doméstica e trabalhava na cozinha; teve impaludismo (malária) e curou-se tomando chá de fedegoso. Enquanto esteve doente e convalescendo, uma prima sua, não escrava, muito boa cozinheira, foi ajudá-la nos serviços. Batayọ aprendeu muito com essa prima e se revelou com ótimas qualidades, acabando por se transformar numa cozinheira tão boa quanto a outra. A pedido da filha da fazendeira, Sinhazinha, Batayọ foi transferida para outros serviços domésticos, dentro da casa grande. Nesse tempo, Sinhazinha namorava um rapaz de uma fazenda vizinha e, passeando com ele a cavalo, caiu e machucou a cabeça. Ficou muito mal e foi salva por Batayọ, mas esteve pelo resto da vida sujeita a crises nervosas e, por isso, passou a ser cuidada pessoalmente por Batayọ, a quem se apegou ainda mais. Sinhazinha casou-se com esse namorado, do qual teve alguns filhos, entre mulheres e homens. Um desses homens tornou-se major do Exército, e mais tarde foi feito no santo por Batayọ, na futura Roça dela, no morro de São Carlos, na cidade do Rio de Janeiro. O marido de Sinhazinha, um dia, castigou demais um escravo, mandando chicoteá-lo no tronco até quase à morte. O negro sobreviveu e depois de recuperado matou o fazendeiro a facadas. Sinhazinha, prejudicada pelo seu estado nervoso, ao saber do ocorrido, teve um colapso e morreu. Só que, antes disso, já havia alforriado Batayọ, como recompensa pelo cuidado que sempre tivera com ela, e depois com seus filhos, ajudando-a a criá-los; além disso, ainda lhe comprara o terreno do morro de São Carlos, para que um dia Batayọ tivesse onde morar, datando daí a posse desse terreno.Quando Sinhazinha morreu, por volta de 1.867, Batayọ tinha cerca de setenta anos. Muito velha para viver na fazenda, veio para a cidade e ocupou sua terra no morro de São Carlos, fundando a Roça e iniciando sua vida de mãe-de-santo. Batayọ casou-se no Brasil, teve vários filhos naturais e fez vários filhos-de-santo em sua Roça. Apesar de ter vindo feita da África, aprendeu com africanos ex-escravos muito sobre os fundamentos das religiões africanas praticadas aqui no Brasil naquela época, especialmente o Omoloko, tanto durante o período em que viveu na fazenda quanto em seu primeiro ano na Roça do morro de São Carlos. Batayọ morreu aos 129 anos, por volta de 1926, na Roça do morro de São Carlos, onde, além de ter sua Casa-de-Santo, também morava. Anunciou sua própria morte algum tempo antes. Nove pessoas presenciaram sua passagem: Samuel, “Seu” Chaves, Ricardina, Henriqueta, Mistura, Tuti, Tẹko, Edgar Canivete e Fujẹko, que tinha então 13 anos de idade. Para este último, ela disse que, quando ele tivesse entre 36 e 39 anos de idade, alguém, que não estava ali, iria cobrir sua casa de flores e pétalas no chão, para receber o Santo dele, no momento em que ficasse pronto. De fato isso aconteceu, quando Lili, que não era filha de Batayọ, nem de sua descendência nem ascendência e que sequer chegou a conhecer Batayọ, ficou encarregada disso na casa onde Fujẹko mais tarde residiria, depois de concluídas suas obrigações com Roxinha e Henriqueta. Roxinha, sua filha natural e filha-de-santo, fez o aşeşe de Batayọ, tirou a mão-de-vumi dos filhos de Batayọ e deu saída ao ẹbọ de seus Santos. Depois disso, a Roça do morro de São Carlos esteve fechada por seis meses, ficando Roxinha como sua sucessora. Vinte anos após morreu Roxinha, por volta de 1.946. Henriqueta ainda ficou na roça, mas os netos de Batayọ tomaram posse da propriedade e o Terreiro acabou. Henriqueta fundou então um Terreiro em Bento Ribeiro, na cidade do Rio de Janeiro, e morreu quatro anos após Roxinha, por volta de 1.950. Para tentar descobrir a origem de Batayọ, ou Tayọ, partiremos do princípio muito provável que o nome dessa yalorişa seja Yoruba e que Sanguerabu seja um nome pertencente a uma língua da família Ewe. Essa afirmação baseia-se também na história contada acima e no fato óbvio de que Batayọ teria que ter convivido com Sanguerabu. Os dados conhecidos, aparentemente inconciliáveis, dão a ela diversas origens, ou seja, Nago, Mina Je San, Bini e de procedência do Porto da Mina. Há ainda o fato de ela ter nome Yoruba e ser filha-de-santo de um babalorişa de origem Egun, povo também conhecido como Popo ou Je.Pensamos que, sendo Batayọ Bini, ou descendente de Bini, seria ela também Yoruba. Conforme já vimos, o povo Bini se considerava descendente dos Yoruba de Ife, e muito provavelmente, então, ela teria convivido com Sanguerabu, ou em terras Yoruba, ou em terras dos Egun (ou Popo ou Je), ou em terras de fronteira ou de vizinhança desses dois povos. No primeiro caso, sendo Bini, poderia ter nascido e se criado numa região de fronteira, o que era uma possibilidade concreta, pois havia povos, entre eles os Egun (ou Popo ou Je), todos de língua da família Ewe, que ocupavam a região litorânea da Baía de Benin, indo desde o Gana, no sentido oeste-leste, até Badagri, onde se encontravam com os Bini, que habitavam a parte litorânea dessa região e que vinham desde a Cidade de Benin, no sentido oposto, leste-oeste. Já os Yoruba localizavam-se no interior desse litoral.Sendo ela de descendência Bini, teriam seus antepassados migrado para uma região que fizesse fronteira com Egun (ou Popo ou Je), mas que fossem terras Yoruba e não terras Bini. Essa região poderia ser a antiga Província de Colônia, que circundava Lagos, ou até mesmo essa cidade da Nigéria. Hipótese também possível, visto que, nessa cidade, no século XV, foi estabelecida uma dinastia Bini, tendo Lagos pago tributos a Benin até 1830. Além disso, houve um intenso comércio de negociantes escravagistas portugueses entre essas duas cidades.Maria Batayọ poderia ter nascido também em um distrito chamado Egun-Awori, na região de
Badagri, no antigo Protetorado Britânico, perto de  Lagos, onde a população era constituída de pessoas de Egun e de Awori. Awori é um povo que se estabeleceu em Lagos na época da dominação Bini sobre essa cidade; neste caso, por exclusão, não sendo Awori, pois isto não foi mencionado como sendo uma de suas origens, ela seria Je, como conta sua história – Je (ou Egun ou  Popo), ou de origem Yoruba e nascimento Je.
Outra origem provavel seria nas terras dos Anago, ou Nago, região no interior do antigo Daomé, que fazia fronteira com o reino de Ketu, com as terras dos Egbado e as dos Awori no interior e com os Egun (ou Popo ou Je), no litoral. Ali existiam comunidades Egbado, de população majoritariamente constituída de uma mistura de Anago (ou Nago), e Egun (ou Popo ou Je), o que nos levaria a supor que ela poderia ser Anago (ou Nago). Essa hipótese confirma mais uma vez sua condição Yoruba, sendo ou não de descendência Bini, visto que, para os daomeanos, todos os Yoruba do Daomé eram considerados Nago (ou Anago).Existia também um povo denominado Ahori, que talvez não tenha origem Yoruba mas que adotou língua e cultura Yoruba e habitava as terras dos Anago, já na fronteira com os Ketu. Esse povo se autodenominava Dje. Os Egun (ou Popo ou Je) os conheciam, tanto que os chamavam de Holi. Os Ahori não habitavam terras que fizessem fronteira com aquelas ocupadas pelos Egun (Popo ou Je), mas  poderiam se relacionar com eles. Isso é possível pelo fato de que tanto os Egun (ou Popo ou Je) das comunidades Egbado quanto os Ahori (ou Holi ou Dje) habitarem as terras dos Nago (ou Anago). Se Batayọ tivesse nascido aí, seria uma Dje, mas talvez fosse considerada também Yoruba pelos Egun (Popo ou Je), pelo fato de ser Bini. Nesse caso também seria considerada Nago (ou Anago) por eles, por ser Yoruba do Daomé. Assim Batayọ tanto seria Dje, Je, Nago, Yoruba descendente de Bini ou Bini.No Rio de Janeiro, no século XIX, período em que Batayọ chegou ao Brasil, os Yoruba que desembarcavam na cidade procedendo de qualquer região da África ou do Brasil eram chamados de Nago. Analisando por esse ângulo, Batayọ poderia ser considerada Nago pelos seus contemporâneos no Brasil por ser mesmo Nago, sendo Yoruba do Daomé, ou por ser realmente Yoruba de outra região africana. O fato de também ser considerada Mina pode ser explicado por ela ter embarcado para o Brasil no Forte da Mina, que fica na região conhecida igualmente como Costa da Mina, que abrange o Forte de São Jorge da Mina, em Gana, e a Baía de Benin. Nesse caso ela seria conhecida como Mina-Nago, como eram denominados os Yoruba embarcados na Costa da Mina levados para o Rio de Janeiro no século XIX.

História de Fujẹko

Fujẹko, Gérson Gentil de Azevedo, nasceu na casa de número 12 na rua Cândido Benício, que sai do Largo do Campinho e vai para Jacarepaguá, em Cascadura, Rio de Janeiro, em 25 de outubro de 1.913. Eram duas casas, a de número 10 e a 12, que ficavam ao lado de um posto de saúde, e talvez já não existam. Era filho de Gelásio Gentil de Azevedo, baiano, e Graziella Bayão de Azevedo, sergipana, que faleceu quando Fujẹko contava com seis anos de idade. Teve os seguintes irmãos: José Salvador Bayão de Azevedo, o Zequinha, ou Bayão; Moacir Bayão de Azevedo; Lourdes Bayão de Azevedo; Haydê Bayão de Azevedo, que morreu intoxicada aos quatro anos de idade; Zuleika Bayão de Azevedo e Jair Bayão de Azevedo, gêmeos, sendo que Jair morreu com cerca de quatro meses de idade. Segundo o próprio Fujẹko, desde muito cedo, aos sete anos, ele bolou para o Santo; então, Dona Lúcia [vizinha de sua família ao tempo em que Fujẹko era criança, no Largo do Campinho, antigo beco Maria José], mãe de quatro filhos [Lara, Pedro, Jovem (mulher) e Anenor], amiga da família em decorrência de vizinhança, levou Fujẹko para o Terreiro de Tio Abẹdẹ.Fujẹko, porém, ali não ficou muito tempo, indo para a Casa de Tia Chica de Vavá, de onde saiu para a casa de Batayọ, aí ficando até depois da morte dela, lá permanecendo com Roxinha e Henriqueta. Batayọ iniciou Fujẹko, seu trigésimo-sexto e último filho-de-santo. O major, filho da Sinhazinha, foi quem custeou a obrigação dele. Sua mãe-criadeira foi Maria de Lembra Tudo. Roxinha e Henriqueta fizeram as obrigações posteriores e Henriqueta lhe deu o dẹka –  e quem recebeu o seu Santo com flores, na casa onde então morava, foi Lili, isso entre os 36 e 39 anos de Fujẹko, entre 1949 e 1952, ou seja, quando Roxinha já tinha falecido, e como predissera Batayọ.  Bakayọdẹ, de Şango, irmão-de-santo de Batayọ, foi quem deu e ensinou o jogo de búzios para Fujẹko. Após aprender e receber o jogo, a primeira pessoa para quem Fujẹko jogou foi o próprio Bakayọdẹ. Nesse jogo ele viu a morte de Bakayọdẹ.Fujẹko fundou sua Casa-de-Santo, denominada Tenda Espírita dos Humildes, em 4 de dezembro de 1954, no Beco Rita Vieira, hoje Rua Rita Vieira, número 40, em Madureira, Rio de Janeiro, então Distrito Federal. Fujẹko teve muitos filhos-de-santo; entre os que receberam o dẹka, estão: Noêmia de Marabo, de Yemọja com Oşoọsi, com Terreiro em Itapocu, Vitória, Espírito Santo; Tereza, de Iyansan e Şango, com Terreiro no estado do Rio; Mozart, de Şango e Ọşun; Fátima, de Oşalufan; Regina Lúcia Ruiz de Gamboa, de Ọşun;  Palu, de Obaluaiye; Maria Antônia de Jesus Melo, de Ọbaluaiye; Maria Luiza; Jandira, de Oşoọsi; Mitze; Eiya, de Omolu; Ângela; Ruth de Souza Castro, de Obaluaiye e Ọşun. Entre outros seus filhos feitos estão  Pedro, de Şango, pejigan; Ari Barreto de Oşoọsi, ogan; Odete, de Şango, jibonan; Eurico Jacy Auler, de Şango Agodo, oşogun; as mães-pequenas Hilda, de Ogun; Corina, de Şango; Ida, de Omolu; Yeda; Bichinha; e Angra, de Omolu e Iyansan; Maria Alice, iyabase; além de Jorge (Dedei), de Obaluaiye, filho natural de Hilda de Ogun; Gamboa, de Oşoọsi, marido de Regina Lúcia; Afonso e sua esposa Dina; Jeová; Iara; e o marido de Maria Alice e Carmem. Fujẹko casou-se com Ilka Machado de Azevedo, nascida em 26 de junho de 1914, em 20 de maio de 1935; não teve filhos naturais e morreu em 1º de junho de 1977.  Depois de sua morte, seu irmão Zequinha, de Ọşun, feito por Regina Lúcia, vendeu a propriedade e o Terreiro acabou. Hoje, permenece fechado e vazio, parece que sem qualquer uso ou destino.

História de Maria Antônia

            Maria Antônia de Jesus Melo nasceu em Fortaleza, Ceará, filha de Maria Marques de Oliveira Melo, nascida em Jardim, Ceará, e Jairo Bandeira de Melo, do Rio Grande do Norte. Era  católica e de família católica.  Quando nasceu tinha um irmão já adulto, por parte de pai. Teve mais quatro irmãos por parte de pai e mãe – três homens, que morreram crianças, e uma irmã.  Mudou-se para o Rio de Janeiro aos 16 anos com a família, em 1948, para a rua Coração de Maria, no Méier.             Casou-se em 1950, com João de Oliveira, só no religioso, visto ser ele separado da mulher, e foi morar na rua Sabino Ribeiro, em Irajá. Teve duas filhas naturais – Cleane de Oliveira e Márcia Cristina de Oliveira. Maria Antônia começou a ficar doente logo depois do casamento. Por causa disso, foi aconselhada por D. Raimunda, médium atuante de um centro espírita kardecista e mãe do chefe desse centro, Rodrigues,  a consultar-se espiritualmente ali. Depois disso, começou a freqüentar o local, chamado Centro Espírita Bezerra de Menezes, em Cascadura. Porém, continuava sempre doente, e, aconselhada por uma entidade do Centro, que lhe recomendara um Centro que não fosse de mesa, mas que fosse de chão – um Terreiro–, foi à procura de um.             Por sugestão de um colega de trabalho (o marido de dona Mariquinha, zeladora do Terreiro de “Seu” Pena Azul, em Osvaldo Cruz) de seu marido, começou a freqüentar esse Terreiro, onde começou a ter as incorporações da Preta-Velha Tia Maria da Bahia, do  Caboclo Aracati e de Ogun Beira Mar. Mas, mesmo assim, continuava bem doente e emagrecendo. Depois de algum tempo, foi aconselhada por um guia incorporado do Terreiro a procurar um Terreiro de Nação. Por isso, aconselhada por uma sua conhecida da época, foi ao endereço, que era numa rua de Madudeira, procurar o tal Terreiro de Nação. Estava procurando o endereço, quando uma mulher a quem pediu informação lhe disse que aquele ela não conhecia, mas que conhecia um muito bom ali perto, e que ela estava indo lá, para falar com o pai-de-santo, Fujẹko; desse modo, ela dirigiu-se com a mulher à Tenda Espírita dos Humildes, Terreiro de Aşẹ Omoloko, localizado à rua Rita Vieira, 40, cujo babalorişa era Gerson Gentil de Azevedo, o Fujẹko, o qual, depois de atender à mulher e à filha dela, fez um jogo para Maria Antônia, orientando-a no que deveria ser feito diante dos problemas de saúde que ela estava enfrentando.            Isso já era outubro de 1966, ou dezesseis anos desde que ficara doente e começara a procurar uma solução para seus problemas. Foi logo recolhida e logo feito um bori, depois do que já começou a melhorar de suas doenças. Iniciou-se assim sua vida religiosa naquele Terreiro. Suas filhas naturais receberam também um bori na casa de Fujẹko. Depois de sete anos, em 1973, recebeu o dẹka e o levou, bem como os seus asentọ para sua casa, nessa época já na Estrada Intendente Magalhães em Vila Valqueire, onde reside até hoje. Sua mãe-pequena de feitura foi Hilda, de Ogun.            Em 1983, seis anos depois da morte de Fujẹko, Mãe Maria Antônia fundou seu Terreiro, Ile Aşẹ Ọbaluaiye, nos fundos de sua residência. Desde então tem como filhos com dẹka Paulo de Oşala, com Casa em Icaraí, Niterói, e Isa de Yemọja, com Casa em Ricardo de Alburquerque, Rio de Janeiro.            Em junho de 1999, fez os asentọ do Ileko,  Casa de Omoloko, em Brasília, e em novembro fez  Cora, de Ogun, Lígia, de Ọbaluaiye, Leni, de Yemọja e Simone, de Iyansan, tendo como mãe-pequena sua filha natural  Márcia, feita no Ketu. 

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7 respostas para História do Omoloko

  1. Mariinha disse:

    Meu zelador de santo faleceu em abril de 2007 e estamos procurando uma casa de Omoloko para dar continuidade as obrigações. Onde podemos encontrar em Niterói ou proximidades? Por favor, nos ajudem. kozaa@hotmail.com ou orkut

  2. riobonito disse:

    Dê uma lida no texto, talvez lhe siva, mas conheço poucas Casas de Omoloko:

    Uma casa-de-santo de culto Omoloko na região metropolitana do Rio de Janeiro compreendendo rituais fundamentados na adoração a divindades africanas.

    Okobalaye
    Oficializado na década de 60, na cidade de São Gonçalo, o terreiro completa quase meio século de existência, tendo em seus primórdios o culto a Umbanda, comandado por Dª. Léa Maria Fonseca da Costa, que se iniciou ainda na década de 50, cumprindo com os preceitos e recebendo anos após seu título de egbomi que honra o cargo de Iyalorixá. A iniciação e confirmação foram concebidas pela finada Iyalorixá Cenira ou Monavurú, na época residente em Fazenda dos Mineiros, bairro de São Gonçalo, filha de um pai-de-santo conhecido como Velho Nélio.

    Após a feitura de Dª. Léa Maria, houve uma segregação do terreiro, já que se mantiveram os cultos de Umbanda. Porém, a partir de então, criou-se dois pólos: um de culto a divindades de Umbanda, e um outro de culto aos Orixás, cada qual em sua ordenação.

    Dª. Léa Maria ficou conhecida na região como Léa de Iansã e comandou a casa-de-santo até o final do século XX, vindo a falecer no mês de julho de 2000.

    Com o seu falecimento, o ilê ficou fechado por 03 anos enquanto duraram os rituais fúnebres e após o período de luto, a casa se reergue com a posse de Maxilene de Xangô, filha carnal e irmã-de-santo de Dª. Léa, sendo a herdeira do axé, ordenada por Iansã e Xangô – Orixás da falecida Yalorixá, que determinaram o mandado através do oráculo de Ifá.

    Conhecida no terreiro como Omobá, hoje lidera a família de santo, preservando os costumes e preparando a nova geração de omorixás, assegurando assim a continuidade e permanência da tradição.

    Maxilene de Xangô, acompanhada pelo Ogan Ernani e as anciãs Rita de Oxalá e Maria de Oxum, confirmaram as obrigações de Fabiano Santana, na roça conhecido como Ejakum, para assumir o cargo de babakekerê ordenado pelo Xangô da atual mãe-de-santo, bem como acompanharam as obrigações de confirmação de Jocinéia, conhecida na roça como Nilá e Renata Ramos, conhecida na roça como Yamiodo. Respectivamente ekedis de Xangô e Ogum.

    Fabiano Santana por sua vez, depois das obrigações concebidas, confirma André como Ogan, conhecido na roça como Cainã, seu primeiro filho.

    Árvore genealógica

    Dª. Léa Maria, que morreu sexagenária, foi a ascendente da Okobalaye, dando origem a árvore genealógica da família espiritual que cultua os Orixás no Brasil conhecidos como Omoloko e/ou Filhos da Gameleira Branca. Dividido em dois grupos, a genealogia da casa-de-santo ficou representada da seguinte maneira:

    Neli (Yá), de Iansã;
    Rita, de Oxalá – Mãe criadeira;
    Maria, de Oxum – Cozinheira-de-santo;
    Maria do Carmo, de Ogum – egbomi;
    Ceceia, de Xangô – egbomi;
    Ilza, de Xangô – egbomi;
    Maria das Graças, de Yemanjá – egbomi;
    Maria do Socorro, de Ogum – egbomi;
    Evandro, de Obaluaie – Babalorixá;
    Francisco Alves, de Xangô – egbomi;
    Maria José, de Iansã;
    Osveralda, de Iansã – egbomi;
    Mariza, de Oxum;
    Marcos Souza, de Obaluaie – egbomi;
    Helena Maria Souza, de Onira – egbomi;
    Bárbara Vanessa, de Xangô – Ekedi;
    Lídia Maria, de Yemanjá – Ekedi;
    Ana Chélida, de Oyá – egbomi;
    Marcos Luiz, de Ogum – Ogan;
    Berimbau – Ogan;
    Sérgio, de Xangô – Axogun;
    Romeu – Ogan;
    Ernani, de Ogum – Ogan;
    Américo, de Ogum – Pejigan;
    Cassiano Santana, de Exu – Ogan
    Um fato relevante na construção da genealogia da casa, foi a feitura de Ilka dos Anjos, de Yemanjá que na época de sua feitura estava grávida de Fabiano Santana, de Ogum, único Abiaxé , hoje pai-pequeno da roça-de-santo.

    Assim fecha-se uma descendência direta de Dª. Léa Maria Fonseca da Costa, formando a família, entre falecidos e vivos, que gerou o axé Okobalaye da tradição Omoloko.

    Localização do Terreiro

    Rua Coronel Andrade Vilella, 836, Itaúna – São Gonçalo – RJ.

    ACHO QUE VOCÊ DEVERIA FAZER UMA VISITA

  3. jorge peres disse:

    Esero que todas as pessoas com conhecimentos em Omoloko posso entrar em contado uma com outras para fazer de nossa nação forte e vistosa crescente ……..dupé o

  4. leonardo disse:

    Aos irmaos de OMOLOKO quero deixar o meu email para contatos,com o desejo de aprender e compartilhar informacoes a respeito do nossa raiz.Tenho a certeza que devemos nos unir numa so voz para fazer ser respeitada a nossa tradicao!
    leologun@hotmail.com

  5. martin disse:

    hola soy nieto del tata ti inkice elio de yemanja ,hijo del tata ti inkice tancredo da silva pinto.me encanto su blog me parece muy interesante ya que aqui en argentina la unica casa central de imoloko que queda es la de mi abuelo,despues hay mucha gente que ase omoloko pero no tengo nocion de ellos.yo estoy tratando de dar a conocer un poco lo que es omoloko aqui en argentina ya que esta muy mal visto.mucuiu para todos.

  6. lucio de oxala disse:

    para os irmoes da raiz do omloko aquele abraço muito axe;

    entre no meu orkut lucio d oxala umbanda omoloko

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